quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O QUE NÃO PODE SER ABALADO

Ainda me lembro de um corinho, muito antigo, que dizia: “Vai abalar, vai abalar, quando Jesus voltar, o mundo vai abalar!”. A palavra de Deus nos diz exatamente as coisas que já foram abaladas (Is. 13:10-13; Ez. 32:7-8; Joel. 2:10, 31; 3:15) na manifestação do Senhor na plenitude dos tempos (Gl. 4:4) e as que serão abaladas (Mc. 13:24-25; Hb.12:26) na sua próxima vinda (parousia). Mas uma coisa que, não pode ser abalada, permanecerá: um Reino (Hb. 12: 26-28).

A respeito deste Reino, Jesus nos deixa claro através dos evangelhos, que ele já é vindo (Lc. 17: 20 b, 21), e que nós temos uma missão a cumprir quando fazemos parte dele, conforme as parábolas: os trabalhadores na vinha, os lavradores, o servo fiel e sensato, os talentos, as dez minas, os servos vigilantes, o bom samaritano, o administrador astuto, o senhor e seu servo, e outras. Mas de que forma ele, o Reino, acontece em nós?

Um Reino, na verdade, só existe através de um binômio, ou seja, duas partes: de um lado, o Senhor, o Rei; de outro, os seus servos, súditos. Ele pode existir através do pecado (Rm. 6:12) e nos levar a morte eterna, ou através da justiça de Deus sobre o pecado, - o sacrifício e o sangue de Cristo (Rm. 2: 7-13) para nos justificar e nos levar a vida eterna. O que veremos aqui nesta ministração é que existem diferenças entre aqueles que cumprem sua missão no Reino (Mt. 7:22) e aqueles que cumprem sua missão de reino com vida santificada! (Mt. 25:34).

Seria uma questão tola indagar ao povo de Deus quais dos dois senhores querem servir? Pela Palavra vemos Josué fazendo esta pergunta ao povo (Js. 24:15). Gostaria de expor também aqui o porquê devemos nos fazer esta pergunta a cada passo, decisão, vontade, que envolve a nossa vida diária, e nos preocuparmos seriamente com a forma que temos procedido para ver qual Senhor temos verdadeiramente servido: Mamon (ventre) ou o Rei Jesus!

Como no tempo de Josué, nós temos visto, ouvido, e crido, em muitas coisas a respeito de Deus, porém isto tudo não significa dizer que temos servido a Deus, e como diz a Palavra, “... de todo o nosso coração, com toda a nossa alma, e de todo nosso entendimento” (Mt. 22:37-39). Como diz Ap. Paulo, nossa salvação está perto (Rm.13:10-11) e devermos desenvolvê-la (Fl. 2:12); e quanto a nossa vida atentando para o que disse Jesus (Jo 12: 25-26). Se bastasse apenas crêr para sermos salvos Ele não deixaria a passagem de Jo 2: 23-24, ou Tiago também não falaria a respeito em 2:19. Crer em Deus é uma prerrogativa para ver e entrar no reino de Deus (Mc. 12:32-34; Jo 3:3-5).

Servir um reino é deixar-se ser governado por ele, pelo Senhor dele; já visto pela Palavra de Deus, que não podemos servir a dois senhores (Mt. 6:24); ela não nos oferece outra opção. Se não temos servido a Deus devidamente (1 Pe. 1:15) então temos servido ao ventre (Rm. 16:17-18; Fl. 3:18-19; 1 Tm. 6:5; Tt. 1:10-11; 2Pe. 2:2-3) (Gl.5:19-21)! Muitos pensam que é impossível viver sem pecar, visto que diz na Palavra em 1 Jo 1: 8-10: “Se dissermos que não temospecado algum ... Se dissermos que não temos cometido pecado...”, mas precisamos discernir melhor isto e impedir que aconteça o que o Ap. João diz no cap. 3:4.

Por acreditarem que o corpo físico foi corrompido e sem chance de ser santificado (2 Cor. 7:1; 1 Ts. 5:23) os gnósticos ensinavam que somente através de tratamentos rigorosos, duros contra o corpo (auto punições e auto flagelos) eles poderiam alcançar a purificação dele. Esta heresia foi condenada por Paulo e João em suas cartas (Col. 2: 16-23). Hoje ainda existem alguns falsos mestres em nosso meio que insistem na santificação do exterior (usos e costumes), mas tropeçam e condenam a si próprios em seus pensamentos lascivos e atitudes de desafetos negando o amor fraternal.

O que João diz em sua missiva é que muitos têm deixado de lutar contra o pecado, de ter nojo dele, de sentir-se imundo quando cometem uma obra da carne, de não passar um dia sequer sem arrepender-se do seu pecado que de tão perto nos rodeia (Hb. 12: 1b). O que o apóstolo diz é que muitos nem sequer sentem quando o pecado se manifesta (1Jo 3:19-21). Foi exatamente isto que fez com que Deus abolisse a Lei. Ele viu que o povo de Israel não se contristava com o pecado (Jr. 9: 7-9, 23-25); não se humilhavam nem se arrependiam, ao contrário, usavam da própria Lei para resolver seus problemas com Deus: sacrificavam um animal e estava tudo resolvido, e logo voltavam para prática do pecado!

Da mesma forma fazemos nós a mesma coisa com Jesus, quando permitimos sermos governados pelo pecado: confessamos a Deus e está tudo resolvido! É neste sentido que o apostolo João nos adverte quando diz: aquele que é nascido de  Deus não peca habitualmente (1 Jo 3:9), ou seja, ele amadurece em suas atitudes, e vai de glória em glória (2 Cor. 3:18) com seu caminhar brilhando até ser dia perfeito (Pv. 4:18).

Nós temos a medida do padrão de Deus e ela é conhecida através da Palavra, e quanto a isto, Tiago nos diz para sermos cumpridores (Tg. 1:22) e não somente ouvintes, ou então estaremos nos enganando. Vejam que são fortes as preocupações dos apóstolos com esta exortação de sermos irrepreensíveis, santos e perfeitos: (1Cor. 4:8; Ef. 1:4-5; 5:27; Fl. 2:15; 3:6; Col. 1:22; 1 Ts. 3:13; 1 Tm. 3:2; 5:7; Tito 1:7; 2 Pe. 3:14; Jd. 24: Ap. 14:5); e quanto ao que não agrada a Deus? Bem, as referência estão por toda a Palavra.

Mas qual é o nosso objetivo com toda esta ministração? É falarmos sobre o que não pode ser abalado!

Desde de pequeno eu ouvia certas doutrinas, que com o passar dos anos foram se mostrando serem de homens e não de Deus. Toda vez que alguma doutrina não vem de Deus ele mesmo a abala e ela cai por terra. Pois só pode permanecer o que é inabalável! Foi assim comigo até que a revelação veio em 2Cor. 10:4-6. Este texto de Paulo me fez ver a diferença entre a Palavra de Deus e as hermenêuticas dos homens. A preocupação de Paulo no texto era contra os falsos irmãos que questionavam sua autoridade apostólica, e admoestar a igreja desapercebida para estes falsos mestres (2 Cor. 10:7). A citação “demolição de fortaleza” no vs. 4b é justamente a respeito das doutrinas de homens que não são as sãs doutrinas do Nosso Senhor Jesus e que em tempo oportuno seriam abaladas, como vem sendo ao longo dos anos.

Entendido isto, queremos deixar uma pergunta com relação ao texto base: Se Deus mandou o povo se santificar no passado por dois dias e no terceiro ele desceria diante dos olhos do povo sobre o monte Sinai, por que não permitiu que o povo, santificado, chegasse perto ou tocasse o monte? Quero acrescentar que ao terceiro dia, pela manhã, a terra foi abalada (Ex. 19: 10-16). Vamos comparar com Lc. 13: 32-33!

Aquele povo não podia ficar diante da glória de Deus porque a sua santificação era externa, aparência, ato público, religioso, legalista (Ex. 19:14b). Eles não haviam sido circuncidados em seus corações; não havia um compromisso de aliança, não tinham fidelidade para com Deus, não lavaram suas almas com o sangue do “Cordeiro”. Por causa disto o escritor de Hebreus fala no cap. 12 vs 13 para fazermos caminhos perfeitos e no 14 buscar a santificação, pois sem ela ninguém verá a Deus no seu santo monte Sião. Isto nos esclarece o conteúdo dos vs. 18 ao 24 do referido capítulo, que mediante Cristo, e em aliança com Ele, e servindo com fidelidade ao Seu Reino, podemos nos achegar ao monte santo de Deus e, na vinda do Senhor, não sermos abalados.

Portanto pensemos: temos que nos santificar! Quanto? Santificação é um ato continuado, ou seja, um processo que só termina com a morte ou na vinda do Senhor para aqueles que estiverem vivos. Não podemos entender esta medida, visto que nenhum dos salvos que dormiram em Cristo nos mostraram como alcançaram a salvação, mas podemos dizer que eles estão na lista do cap. 11 de Hebreus e no vs. 11 do cap. 12 de Apocalipse, e não serão abalados na vinda do Senhor!
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