quinta-feira, 29 de agosto de 2013

PREDESTINAÇÃO OU LIVRE ARBÍTRIO

A carta de Paulo aos romanos está escrita com linguagem jurídica, pois os romanos se jactavam destes conceitos. Assim, em toda carta está estabelecido àquilo que era antes deles terem a noção do que seja “Justiça”. Paulo usa muito este termo para chamar atenção dos romanos!
Hoje queremos discorrer sobre uma da várias questões jurídicas da carta: Romanos 5:12-21
12 - Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.
13 - Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado, não havendo lei.
14 - No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir.
15 - Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos.
16 - E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação.
17 - Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.
18 - Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.
19 - Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos.
20 - Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça;
21 - Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinassepela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor.
Bastaria lermos com cuidado toda carta aos Romanos para que todos pudessem entender aquilo que é simples aos ouvidos, mas complicado diante de doutrinas que seguem paralelas ao Evangelho. Então faremos um resumo de toda a carta.
Adão e Eva são os primeiros seres racionais criados por Deus. Um ser criado difere de um ser “gerado” devido a um sentimento: AMOR! Seres criados seguem cinco instintos:
“O primeiro é o instinto da autopreservação que nos avisa de perigo e nos capacita a cuidar de nós mesmos. O segundo é o instinto de aquisição (conseguir), que nos conduz a adquirir as provisões para o sustento próprio. O terceiro é o instinto da busca de alimento, o impulso que leva a satisfazer a fome natural. O quarto é o instinto da reprodução que conduz à perpetuação da espécie. O quinto é o instinto de domínio que conduz a exercer certa iniciativa própria necessária para o desempenho da vocação e das responsabilidades. O registro desses dotes (ou instintos) do homem concedidos pelo Criador acha-se nos primeiros dois capítulos de Gênesis.
O instinto de autopreservação implica a proibição e o aviso: "Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás porque no dia em que dela comeres certamente morrerás." O instinto de aquisição aparece no fato de ter Adão recebido da mão de Deus o lindo jardim do Éden. O instinto da busca de alimento percebe- se nas palavras: "Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão sementes, as quais se acham sobre a face de toda a terra, e todas as árvores em que há fruto que dê semente ser-vos-á para alimento." Ao instinto de reprodução referem-se estas declarações: "Homem e mulher os criou." "Deus os abençoou e lhes disse: frutificai, multiplicai-vos." Ao quinto instinto, domínio, refere-se o mandamento: "Enchei a terra, sujeitai-a; dominai”.
Deus ordenou que as criaturas inferiores fossem governadas primeiramente pelos instintos, mas o homem foi elevado à dignidade de possuir o dom de livre arbítrio e a razão, com os quais poderia disciplinar-se a si mesmo e tornar-se árbitro do seu próprio destino. Como guia para o regulamento das faculdades do homem, Deus impôs uma lei. O entendimento do homem quanto a essa lei produziu uma consciência, que significa literalmente "com conhecimento". Quando o homem deu ouvidos à lei, teve a consciência esclarecida; quando desobedeceu a Deus, sofreu, pois a consciência o acusava. (Conhecendo as doutrinas da Bíblia por Myer Pearlman).
Mas o homem destituído de amor não governa, não faz gestão dos seus instintos, não dá limites a ele! Chamamos isto de concupiscência, que é ir além dos limites dos instintos. Animais racionais não tem concupiscência. Matam quando tem fome, recolhem somente o que é suficiente para hoje.
Assim o primeiro pecado foi estabelecido. Sem amor, o homem não se satisfez com tudo que o Senhor lhe tinha dado como instrumento de autopreservação.
“Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morteassim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.” Vamos entender esta verdade. O pecado é o ato falho, porém a morte é a determinação de uma Palavra de Deus: Gênesis 2:17
17 - Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.
Se não houvesse uma Palavra (Lei) não existiria pecado, pois este se manifesta por meio de uma transgressão, e consequentemente para esta transgressão Deus estipulou umjuízo ou julgamento: Morte! Portanto a morte é a maldição do pecado. Assim concluímos o versículo de Paulo. Quando vemos alguém morrer, entendemos que ele está sob a maldição do pecado de Adão, não necessariamente sob a maldição do seus próprios pecados, que podemos entender pelos vs seguintes:
“Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado, não havendo lei. No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir.”
Mesmo Adão e Eva não comendo mais da árvore do conhecimento a maldição foi passada a todos os descendentes de Adão, assim entende-se por analogia que todos se tornaram culpados (amaldiçoados) do pecado de Adão, por meio de Adão, ainda que seus descendentes não tivessem cometido pecado algum à semelhança dele. Quando enxertamos uma qualidade em uma semente, todos os frutos desta semente terão a qualidade enxertada na semente original. No caso de Adão e Eva, foi enxertada a morte como maldição, passando assim a morte, e não o pecado, a todos os homens, independentemente deles pecarem ou não!
“No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir.”
Então não herdamos o pecado de Adão, mas herdamos sim a maldição do pecado que ele cometeu!
Mas por que Paulo diz que a morte “reinou” de Adão até Moisés? Por que ela exerceu este domínio, este poder até Moisés?
Em Moisés se estabelece a figura do pagamento pelo resgate da maldição. Mesmo aqueles que sacrificavam antes de Moisés tinham apenas os seus pecados encobertos para se relacionarem com Deus, porém não tinham a anistia da maldição que é eterna, pois os sacrifícios não eram a cópia ou modelo do que estava no céu, mas como estes também tinham um efeito temporário, fazendo com que simbolicamente, a maldição recaísse sobre o animal sacrificado o que era feito todos os dias. Pois Hebreus 9:11-15
11 - Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação,
12 - Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção.
13 - Porque, se o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma novilha esparzida sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne,
14 - Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?
15 - E por isso é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna. Agora o segundo conjunto jurídico.
Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos.
16 - E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecouPorque o juízo (Maldição) veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação.
17 - Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.
18 - Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo (Maldição/Morte) sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.
19 - Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um, muitos serão feitos justos.
Então ouçam: O que “reinou” de Adão até Moisés não foi o pecado e sim a morte como maldição de um só pecado cometido por Adão. Pecando ou não a descendência de Adão ficou sob a maldição da morte pelo pecado de um só homem!
Jesus pecou? Não! Então por que foi ele condenado a morte? Porque sobre ele repousou a maldição do pecado de Adão, então sobre Jesus recaiu a maldição que visitou todos os homens! Mas qual o efeito ou poder que uma maldição pode assumir sobre um justo? Provérbios 26:2
2 - Como ao pássaro o vaguear, como à andorinha o voar, assim a maldição sem causa não virá. Portanto ela não teve poder para aprisionar a Jesus no inferno! A morte não fez Jesus cativo. Assim compreendemos os textos:
“Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos.”
Por meio de Jesus e em Jesus, todos quantos nele confiarem acerca do pagamento realizado para cessar a maldição serão vivificados para vida eterna. Agora a pergunta. Esta Graça alcança somente os que viveram depois de Jesus? Esta Graça alcança somente um povo “eleito”, ou “predestinado” ou escolhidos antes da fundação do mundo?
Não. Definitivamente não!
Porque uma Lei mais benéfica deve ser retroativa aos que foram condenados anteriormente, assim aqueles que não estiveram sob a Lei que estava na árvore do conhecimento no Éden, e que não pecaram segundo o pecado de Adão, foram alcançados também pela Graça da redenção feita por Jesus como está no texto: Efésios 4:7-10
7 - Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo.
8 - Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, E deu dons aos homens.
9 - Ora, isto  ele subiu  que é, senão que também antes tinha descido às partes mais baixas da terra?
10 - Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas.
O cativeiro da morte e o inferno foram arrombados pela Graça redentora de Cristo, e Ele levou cativo o que estava em cativeiro, ou seja: I Pedro 3:18-20
18 - Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito;
19 - No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão;
20 - Os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água;
Agora, “pregou aos espíritos em prisão” não significa dar uma nova oportunidade, mas fazer justiça aos que sem o conhecimento da Lei estavam sob o domínio da maldição, pois: Romanos 4:6-8
6 - Assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras, dizendo:
7 - Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos.
8 - Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado.
Portanto, todos os espíritos que foram rebeldes sem o conhecimento da Lei, não são imputados os pecados. E Segundo a Graça são resgatados da maldição do pecado de Adão por meio da Justiça realizada por Jesus na Cruz.
Assim como Jesus foi resgatado da maldição da Lei (MORTE) por não ter pecado, mesmo estando debaixo da Lei, os que sem Lei pecaram tornaram-se participantes da mesma Justiça que estabeleceu a vida eterna para Cristo! Colossenses 2:13-15
13 - E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas,
14 - Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças (a maldição da Lei do pecado/Morte), a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz.
15 - E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo. (grifos nossos)
Agora entendemos esta porção jurídica de Romanos 7:22-25
22 - Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus;
23 - Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros.
24 - Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?
25 - Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento (mente) sirvo à ( Cristo, que é a) lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado (que é a morte física)
Fechando o entendimento fica assim: Desde Adão até hoje, nós continuamos pecando, pois a morte que nos acomete é a prova de que esta maldição, ou seja, morte ainda está em nossos corpos mortais. Mas se crermos que Jesus nos resgatou da maldição do pecado, então assim como Ele ressuscitou também nós seremos ressuscitados, porque a maldição não pode nos manter no inferno nem na morte eterna devido ao pagamento feito na Cruz do Calvário.
Esta é uma parábola:
Estava Calvino em uma praça e dizia:
- Aproximem-se todos os que são predestinados , que eu vou lhes anunciar o caminho da salvação! Aproximando-se um jovem disse:
- Como faço para saber se sou um predestinado? Calvino lhe respondeu:
- Simples meu jovem. Vou lhe anunciar o caminho da salvação, se você crer no que eu lhe disser é porque vc é um predestinado a salvação, pois somente os predestinados foram eleitos antes da fundação do mundo e podem crêr, pois para crerem necessitam da Fé, e somente os que estão na lista dos predestinados (escolhidos) por Deus, ser-lhes-á dada a Fé para crerem! Então o Jovem lhe perguntou:
- E se eu não crer? Calvino lhe respondeu:
- Então vc não é um predestinado a salvação, mas é predestinado a eterna perdição em lago de fogo e enxofre!
Então o jovem pensou e disse:
- Não quero ouvir nada sobre “o caminho da salvação”. Calvino lhe perguntou:
- Por que meu Jovem?
- Eu hein, disse o jovem, vai que eu não acredite neste “Caminho” ou que eu pense ser ele muito difícil e apertado, e saberei que não sou um predestinado.
Então o Jovem foi-se pelo seu caminho triste. Mais a frente encontrou outro homem a pregar com lágrimas nos olhos que dizia:
Quem quer entrar na vida eterna e ir morar na eternidade com Deus-Pai, mesmo depois que findar esta vida? O jovem que passava ouviu aquele apelo e disse:
Eu quero! O que tenho que fazer? E o homem lhe respondeu:
Basta pedir a Deus-Pai eterno e ele lhe concederá o que tu pedires! Lucas 11:9-13
“E eu vos digo a vós: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á; porque qualquer que pede recebe; e quem busca acha; e a quem bate abrir-se-lhe-á. E qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, também, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente? Ou, também, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?”
Então aquele Jovem, inclinou sua cabeça e disse:
- Deus-Pai eterno eu quero entrar na vida eterna! Naquele momento uma voz soou nos céus:
- Vai meu Filho amado, entra no coração daquele jovem que me pede a vida eterna, pois quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. Eis que eu lhe entrego em suas mãos meu Filho. E ninguém o arrebatará de ti. Imediatamente uma alegria invadiu o coração daquele jovem que em prantos disse:
- Calvino me disse se eu não recebesse a Fé que viria de Deus para testificar que eu era um predestinado a salvação, eu não encontraria o caminho. Ao que o homem lhe respondeu:
- Não é somente uma questão de Fé meu jovem, , mas sim de livre arbítrio, pois como poderá receber a Fé se primeiro não a desejares em teu coração? O livre arbítrio (vontade, volição) precede a Fé!
Então o Jovem lhe disse: Vamos anunciar a todos a salvação! Ao que o homem lhe respondeu:
-Não! Mas somente aos não-predestinados, pois os que já são salvos já o são, e os “sãos” não precisam de médico! Vamos anunciar a todos quantos querem receber a vida Eterna! Então o moço lhe perguntou:
- Qual é o seu nome? E o homem lhe respondeu:
Jacobus, Arminius, nome verdadeiro Jacob Harmensen, Hermansz, ou ainda Harmenszoon (1560-1609), holandês, teólogo e ministro da Igreja Reformada Holandesa que se opôs ao dogma da predestinação e desenvolveu sua própria doutrina conhecida depois como arminianismo.
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