quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

TIRADOS PARA FORA PARTE 2

Antes de o Senhor subir aos céus, nos últimos instantes Dele aqui na Terra, Ele disse aos discípulos: “... mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até os confins da Terra” (At 1.8). As últimas palavras do Filho de Deus aqui foram “até os confins da Terra”! Vamos agora discernir o que disse o Mestre nesse último versículo de suas palavras aqui:
1. “...mas recebereis poder” Essa palavra poder, do original grego “dunamis”, significa força ou explosão, mas denota algo sobrenatural. É diferente da força do braço citada em Jeremias 17.5, aqui a força é natural, mas em Atos 1.8 a força é sobrenatural. Todos nós sabemos que é o Espírito Santo que está sobre nós, mas aqui a atuação do Espírito tem uma conotação diferente do que tem sido na maioria de nossas igrejas, em tudo o que fazemos nela. A Igreja de Atos nasceu por uma iniciativa do Espírito Santo, e o combustível que movia a Igreja foi o Espírito Santo. Sabemos no relato de Atos 1 que a Igreja iniciou pela oração, e então desceu sobre eles o Espírito Santo... e ele continuou sendo a força sobrenatural, o poder que vem do Alto, que continuou atuando. Mas infelizmente hoje somos movidos por calendários anuais, eventos para jovens, encontros, reuniões, e quase nada estamos fazendo iniciando pela oração até que do Alto sejamos revestidos desse poder. É muito triste, irmãos, e eu errei muito nesse aspecto, até que o Senhor começou a falar comigo e me mostrar em Sua Palavra diversas iniciativas do Espírito Santo na Igreja, ocasiões que Ele decidiu e Ele fez, afinal você conhece alguém para fazer a obra do Espírito Santo melhor que Ele mesmo? Eu não! Vamos ler um texto em que o Espírito Santo é a força que moveu a obra, e que iniciou pela oração: “Quando os sacerdotes saíram do lugar santo (pois todos os sacerdotes que se achavam presentes se tinham santificado, sem observarem a ordem das suas turmas; também os levitas que eram cantores, ...e juntamente com eles cento e vinte sacerdotes, que tocavam as trombetas) , quando os trombeteiros e os cantores estavam acordes em fazerem ouvir uma só voz, louvando ao Senhor e dando-lhe graças, e quando levantavam a voz com trombetas, e címbalos, e outros instrumentos de música, e louvavam ao Senhor, dizendo: Porque ele é bom, porque a sua benignidade dura para sempre; então se encheu duma nuvem a casa, a saber, a casa do Senhor, de modo que os sacerdotes não podiam ter-se em pé, para ministrar, por causa da nuvem; porque a glória do Senhor encheu a casa de Deus.” (2Cr 5.11-14) Irmãos, essa é a unidade que faz a diferença! Aqui nesse texto os sacerdotes e levitas que estavam encarregados em ministrar ao Senhor, agora no templo que foi construído por Salomão, eles não queriam de jeito nenhum iniciar os serviços “na força do braço”, porque já tinham visto como Deus se movia no Tabernáculo de Davi, e agora eles queriam trazer também para este serviço aquela unção, aquele mover, aquela força sobrenatural. O que eles fizeram então? Havia uma escala natural de jejum e oração, mas eles decidiram quebrar a escala, não jejuando e orando apenas no horário descrito, mas também fazendo isso nos horários dos outros colegas, e assim todos estavam fazendo, jejuando e orando sem parar, cada vez mais. Todos unânimes, em uma só voz! - Amigos será que Deus é capaz de resistir a um grupo que decide buscá-lo sem parar até que Ele venha? É impossível para Deus resistir ao clamor dos seus santos! E o que aconteceu? Ele veio! E encheu a casa do Senhor! A glória do Senhor encheu a casa de Deus! Foi assim também que o serviço da Igreja de Atos iniciou: começaram orando sem se ausentarem do cenáculo até que do Alto fossem revestidos, e Ele veio e desceu sobre eles como fogo, fogo esse que incendiou Jerusalém a ponto da cidade estar cheia com a doutrina dos apóstolos... Não se falava em outra coisa. Vamos incendiar nossas cidades? Vamos então começar por jejum e oração até que Ele venha e faça o que quiser. “...e sereis minhas testemunhas (mártires)” Ah irmãos... se começar a obra do Espírito Santo por jejum e oração “até que Ele venha” já não é algo tão simpático, muito menos é ser testemunha de Jesus! Essa palavra “testemunha”, do original grego “martus”, ou mártir, literalmente significa “que tem finalidade judicial - pessoa que sofreu torturas, ou mesmo morte, por não renunciar a qualquer outra crença, religiosa ou política.” Para explicar melhor a proposta de Jesus, o que Ele quer de nós é que sejamos mártires Dele, representantes legais Dele aqui na Terra. Ou seja, se Cristo é condenado à morte aqui (e realmente o mundo odeia a Cristo – leia Jo 15.18) então somos nós, na condição de mártires ou representantes legais, é que iremos morrer em nome Dele. É claro que você já sabia disso... Não?! Perdoem-me irmãos, mas ser testemunha Dele significa ser um fiel representante, que fala em nome Dele, que é perseguido em nome Dele, que é preso, torturado e até morto se necessário for, tudo em nome Dele: Talvez o melhor exemplo de testemunha de Jesus na Bíblia, juntamente com o testemunho do Ap. Paulo, seja o de Estêvão. Vejamos alguns detalhes nos versículos que nos mostram quem ele foi e o modo como ele confirmou sua fé em Jesus: “Ora, Estêvão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo.” (At 6.8) “Levantaram-se, porém, alguns … e disputavam com Estêvão” (At 6.9) “e não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que falava.” (At 6.10) “Então subornaram uns homens...” (At 6.11) “Assim excitaram o povo, os anciãos, e os escribas; e investindo contra ele, o arrebataram e o levaram...” (At 6.12) “e apresentaram falsas testemunhas...” (At 6.13) “Então todos os que estavam assentados no sinédrio, fitando os olhos nele, viram o seu rosto como de um anjo.” (At 6.15) “Ouvindo eles isto (o discurso em At. 7.2-53), enfureciam-se em seus corações, e rangiam os dentes contra Estêvão.” (At 7.54) “Mas ele, cheio do Espírito Santo, fitando os olhos no céu, viu a glória de Deus,  Jesus em pé à direita de Deus, e disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem em pé à direita de Deus.”(At 7.55-56) “Então eles gritaram com grande voz, taparam os ouvidos, e arremeteram unânimes contra ele e, lançando-o fora da cidade o apedrejavam...” (At 7.57-58) “E pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. Tendo dito isto, adormeceu...” (At 7.60) O quê? Ser testemunha de Jesus é estar pronto para confirmar a fé a tal nível? Sim, é isso mesmo. Pois não era a Estêvão quem aqueles homens estavam perseguindo, mas ao nosso amado Senhor Jesus, que era inegavelmente reconhecido na vida de Estêvão. Vejamos como o Senhor se apresentou a Saulo: “e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Ele perguntou: Quem és tu, Senhor? Respondeu o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues.” (At 9.4-5) E esse mesmo Saulo, antes um terrível perseguidor da Igreja (At 8.3; 9.1-2), agora como mártir de Jesus, afirmou a Timóteo: “Ora, todos quanto querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2Tm 3.12). A palavra “piedoso” significa “fiel, devoto”, e a raiz da palavra aponta para “adorador”. É por isso que o Senhor Jesus afirmou em Jo 4.23 que o Pai procura adoradores que o adorem em espírito e em verdade. Ele procura pessoas que decidam viver piedosamente, restritamente obedientes à Sua vontade, fiéis devotos, testemunhas, verdadeiros mártires: “Preciosa é aos olhos do SENHOR a morte dos seus santos” (Sl 116.15). “...tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria” A Igreja Primitiva recebeu do Senhor Jesus a ordem de evangelizar, fazer discípulos e estabelecer igrejas em toda a Terra na seguinte expressão: “... e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até os confins da Terra” (At 1.8). A Igreja de Jerusalém compreendeu muito bem o mandamento do Mestre, e realmente foram testemunhas de Jesus em Jerusalém: “...Expressamente vos ordenamos que não ensinásseis nesse nome; contudo, enchestes Jerusalém de vossa doutrina...” (At 5.28 – leia também At 2.40-41; 4.1-4; 5.14-16); como também foram fiéis testemunhas de Jesus por toda a Judéia e Samaria: “... os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra” (At 8.4) – “A igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria, edificando-se e caminhando no temor do Senhor, e, no conforto do Espírito Santo, crescia em número” (At 9.31 – leia também At 8.1; 8.5-8; 8.14-17; 8.25). Porém havia no coração dos apóstolos e de todos os demais discípulos uma resistência em anunciar o Evangelho aos povos gentios, mesmo após a dispersão ocorrida em função da perseguição após a morte de Estêvão (At 8.1-3). Isso é claramente demonstrado na ocasião em que Pedro resiste em ministrar a Cornélio, por ele ser gentio (leia At 10). Vejamos a réplica de Pedro, mesmo após o Senhor ter-lhe dado à visão e falado com ele por três vezes: “No outro dia entrou em Cesaréia. E Cornélio os esperava, tendo reunido os seus parentes e amigos mais íntimos.” (At 10.24) “E conversando com ele, entrou e achou muitos reunidos, e disse-lhes: Vós bem sabeis que não é lícito a um judeu ajuntar-se ou chegar-se a estrangeiros; mas Deus mostrou-me que a nenhum homem devo chamar comum ou imundo; pelo que, sendo chamado, vim sem objeção. Pergunto pois: Por que razão mandastes chamar-me?” (At 10.27-29) Irmãos, vejam que situação! O próprio Deus decide salvar Cornélio; este mesmo organiza um “culto de evangelismo” reunindo seus parentes e amigos mais íntimos só para ouvir a pregação de Pedro, e encontram um homem ranzinza e antipático dizendo que não é lícito que um judeu ajunte-se com estrangeiros, e ainda tem a coragem de perguntar por quê o chamaram ali? E eu pergunto: onde estava a ordem de Jesus de pregar o evangelho a toda criatura? (Mc 16.15) E a ordem de fazer discípulos de todas as nações? (Mt 28.19) Aqui está o primeiro indício de que os apóstolos, que eram todos judeus, “torciam o nariz” em anunciar o evangelho aos gentios, “a toda criatura” e fazer discípulos “de todas as nações” – com exceção de Felipe, que anunciou a Palavra ao eunuco (At 8.26-40). Para os religiosos, isso seria uma contaminação (leia At 11.1-3 e 11.17-18). Vejamos também o texto de Atos 11.19: “Aqueles, pois, que foram dispersos pela tribulação suscitada por causa de Estêvão, passaram até a Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus.” (At 11.19) Voltemos então à ordem do Senhor Jesus em At 1.8, mas de modo que possamos compreender o que o Senhor ordenou: “... e sereis minhas testemunhas:

1. tanto em Jerusalém
2. como em toda a Judéia
3. e Samaria
4. e até os confins da Terra.”

As expressões “tanto”, “como”, “e” “até” indicam uma equivalência ou igualdade. Sabem como eu pude compreender melhor essa afirmação? Quando um dia, meditando nesse versículo, fiquei observando uma mesa e cheguei à conclusão óbvia que ela não poderia ter apenas três pés, ou cinco, mas que o correto é a mesa ter quatro pés, todos do mesmo tamanho. Da mesma sorte uma cadeira possui também quatro pés iguais... O que isso quer dizer? Que nós temos que pregar o evangelho e ser testemunha de Jesus:
1. tanto quanto nos esforçamos em fazê-lo na nossa igreja ou localidade (Jerusalém = “a sede” ou “a matriz”);
2. como em toda a na nossa região (toda a Judéia);
3. e nas regiões ao nosso redor (Samaria); 4. e até mesmo em todas as nações (confins da Terra). Para Jesus, não há diferença entre Jerusalém e confins da Terra. O esforço, o investimento, as orações, tudo o que fazemos como testemunhas de Jesus deve ser feito com o mesmo peso e a mesma medida: aqui, ali, lá e nas nações.

A IGREJA DE ANTIOQUIA:
                                                     ATÉ OS CONFINS DA TERRA!

                                                        
Após a destruição de Jerusalém entre os anos 64 e 70 dC os cristãos foram duramente perseguidos e se espalharam pelas regiões da Ásia, Oriente e Mediterrâneo, mas ainda estavam resistentes a ministrar o Evangelho aos gentios: “Aqueles, pois, que foram dispersos pela tribulação suscitada por causa de Estêvão, passaram até a Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus.” (At 11.19) “Havia, porém, entre eles alguns cíprios e cirenenses, os quais, entrando em Antioquia, falaram também aos gregos, anunciando o Senhor Jesus. E a mão do Senhor era com eles, e grande número creu e se converteu ao Senhor.” (At 11.20-21) Mas esses irmãos, que estabeleceram a igreja de Antioquia foram diferentes dos demais, e entenderam a obra que o Espírito Santo estava realizando através daquela perseguição contra aos cristãos. A Igreja estabeleceu-se em Jerusalém e arredores por aproximadamente 40 anos sem pregar o evangelho aos gentios, somente aos judeus! Esqueceram-se dos confins da Terra ordenado pelo Senhor. Mas aqueles irmãos de Antioquia perceberam a enorme oportunidade de espalharem o evangelho a partir de lá, mas por que Antioquia? “Outra parábola lhes disse: O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e misturou com três medidas de farinha, até ficar tudo levedado.” (Mt 13.33) Antioquia naquele tempo era a terceira maior cidade de todo o mundo conhecido, ficando atrás apenas de Roma e Alexandria. Antioquia era a principal rota comercial e marítima do Mediterrâneo com a Ásia, Arábia e o Oriente, o que foi fundamental para a expansão da Igreja através de Paulo, Barnabé, Silas, Timóteo, etc. Antioquia era uma cidade cosmopolita, onde viviam pessoas dos mais diversos lugares, e foi nesse terreno fértil que a Igreja percebeu a enorme oportunidade de cristãos definitivamente foram “o fermento que levedou toda a massa”, antes apenas em Jerusalém e arredores, mas agora em todo o mundo conhecido da época. Barnabé: o homem que percebeu a direção do Vento “Chegou a notícia destas coisas aos ouvidos da igreja em Jerusalém; e enviaram Barnabé a Antioquia; o qual, quando chegou e viu a graça de Deus, se alegrou, e exortava a todos a perseverarem no Senhor com firmeza de coração; porque era homem de bem, e cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor.” (At 11.22-24) Vamos falar um pouco sobre Barnabé. Esse nome em grego significa “filho da consolação” ou “filho da profecia”. Ele era judeu da tribo de Levi (At 4.36), primo mais velho de João Marcos (Cl 4.10) – aquele que era filho de Maria, dona da casa onde Jesus se reunia com os discípulos (futura sede da Igreja de Jerusalém – At 12.5,12). Por isso, muito provavelmente Barnabé estava entre as testemunhas oculares do Senhor e teve a oportunidade de conhecê-lo e ouvir muitos dos ensinamentos do Mestre. Os relatos bíblicos a respeito de Barnabé demonstram que era um grande homem de Deus: “porque era homem de bem, e cheio do Espírito Santo e de fé” (At 11.24); em Jerusalém ele vendeu um campo e o ofertou integralmente aos pés dos apóstolos, para a assistência aos mais necessitados (At 4.37); Lutero e Calvino defendem a tese de que era Barnabé o irmão citado por Paulo em 2Co 8.18-19: “E juntamente com ele enviamos o irmão cujo louvor no evangelho se tem espalhado por todas as igrejas; e não só isto, mas também foi escolhido pelas igrejas para ser nosso companheiro de viagem no tocante a esta graça que por nós é ministrada para glória do Senhor e para provar a nossa boa vontade.” Durante a primeira viagem missionária, quando estavam pregando em Listra, Barnabé foi chamado Júpiter, e Paulo foi chamado Mercúrio (At 14.12). Na cultura grega, Júpiter é Zeus, pai de Hermes – ou Mercúrio. Ou seja, de alguma forma os gregos perceberam a autoridade e a paternidade de Barnabé sobre Paulo, de modo que Barnabé não foi apedrejado, mas Paulo foi (At 14.19). Pois Barnabé percebeu que algo estava acontecendo em Antioquia que ele não tinha visto em nenhuma outra igreja, nem mesmo em Jerusalém, de modo que ele saiu atrás de Saulo e o levou para Antioquia, e lá permaneceram por um ano (At 11.25-26). Por que Barnabé saiu a procura de Saulo? O que ele viu de semelhante entre Saulo e a igreja de Antioquia, de modo que ele foi buscá-lo para ali permanecer? O “sinal” que a Bíblia nos mostra é que ali em Antioquia a igreja era de tal forma “testemunha de Jesus” que foram chamados cristãos pela primeira vez. Coincidência? O fato é que a intromissão de Barnabé na vida de Saulo e na igreja de Antioquia mudou a história do Novo Testamento, e provavelmente foi essa intervenção que permitiu ao Evangelho chegar até nós.

OS QUATRO PILARES DA IGREJA

“...E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.” (At 2.42) Quem de nós, pastores e líderes, não conhecemos esse tão famoso texto? Lemos e pregamos sobre isso, mas não vivemos! Quando eu e minha esposa iniciamos uma nova fase de nossa vida ministerial, nós não sabíamos o que fazer em relação à igreja que o Senhor nos chamou para estabelecer em nossa cidade. Que bom que não sabíamos! Aí passamos a buscar sinceramente o coração de Deus, para que Ele nos revelasse o “modelo”, ou o que chamamos de “modo de caminhar” de nosso ministério. Foi quando o Senhor nos revelou com muita clareza nos Evangelhos o modo como Jesus congregava-se com os seus discípulos, e depois repetiram a “fórmula” em Atos também. Vou tentar exemplificar abaixo o que chamamos de “os quatro pilares da Igreja”:

1. Doutrina dos apóstolos

“ Portanto ide, fazei discípulos... ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado...” (Mt 28.19-20) “ e perseveravam na doutrina dos apóstolos...” (At 2.42)
Certa vez o ap. Paulo fez a seguinte recomendação a Timóteo, seu discípulo: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nesses deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes” (1Tm 4.16). A salvação se dá em conhecer a verdade, sem tirar nem acrescentar. Na mesma carta a Timóteo, um pouco mais adiante, ele diz: “Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é enfatuado, nada entende … homens cuja mente é pervertida e privados da verdade...” (1Tm 6.3-5). Paulo cita a expressão “sã doutrina” 2 vezes para Timóteo e mais 2 vezes para Tito, que são justamente as duas cartas que denominamos como “pastorais”. E mais 16 vezes Paulo prega em suas cartas o zelo necessário pela doutrina dos apóstolos. Por quê? Porque somos facilmente levados por ensinamentos contrários ao padrão simples do Evangelho. Quer um exemplo?
O Evangelho da Prosperidade, tão disseminado no século 20 e muito mais pregado ainda no nosso século. Qual o exemplo de Jesus? Ele nada teve em seu nome, nem casa, nem jumento, nada... nem mesmo o jazigo onde foi sepultado era dele... “Ah mas isso era Jesus!” alguém pode me responder... Mas e a ordem que Ele, o Senhor, deu aos seus discípulos? “Não vos provereis de ouro, nem de prata, nem de cobre nos vossos cintos; nem de alforje para o caminho, nem de duas túnicas, nem de sandálias, nem de bordão...” (Mt 10.9-10). Agora eu pergunto: quantas túnicas? Uma só. Quanta provisão de ouro e prata? Nenhuma! Aí alguém me pergunta assim: “Ah então nenhum cristão pode ser rico?” Claro que pode, mas que seja advertido com as próprias palavras do Mestre: “Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!” (Lc 18.24). E assim como o evangelho da prosperidade, há inúmeros outros evangelhos sendo pregados por aí. Nos escritos de Lutero há uma frase assim: “Hoje descobri mais uma seita entre os cristãos: a que prega que podemos viver o Evangelho de Cristo sem a Cruz de Cristo”. Irmãos, o que Paulo se esforça em nos ensinar como sã doutrina é estritamente os ensinamentos do Senhor Jesus, nada mais. Lembram do caráter restritivo do Reino? Se temos um Senhor e Rei, jamais podemos nos afastar disso.

2. Comunhão

“Ora, ao saltarem em terra, viram ali brasas, e um peixe posto em cima delas, e pão.” Jo 21.9) “ e perseveravam… na comunhão...” (At 2.42)
Como é bom comer, não é mesmo? Melhor ainda é comer na companhia dos amigos! Jesus sabia disso e gostava de ter comunhão com seus amigos... Essa palavra grega “koinonia” significa literalmente participar, associar, compartilhar. Depois que o Senhor morreu e ressuscitou, Ele apareceu várias vezes aos seus discípulos, mas em duas delas Ele ofereceu-se para comer: em Lucas 24.41 o Senhor perguntou a eles se tinham algo para comer, e lhe mostraram um pedaço de peixe assado e um favo de mel; e em João 21.9-13 o Senhor preparou peixes e pães para comer com os discípulos. Em outras ocasiões o Senhor também demonstra grande satisfação em estar na presença de seus amigos, não que a comida seja de maior importância, e de fato não é, mas é justamente naquele momento de comunhão que o Espírito Santo desenvolve em nós um dos principais elementos para o Corpo de Cristo: a unidade. É durante os momentos de comunhão que cada indivíduo do grupo passa a conhecer seu próximo, suportar as diferenças entre eles, compreender as carências uns dos outros, e assim a unidade vai sendo estabelecida. O Senhor Jesus deu muita importância à comunhão como mecanismo de geração de unidade em seu grupo. Sem unidade os apóstolos não teriam perseverado em permanecer no cenáculo “até que do Alto fossem revestidos de poder” (Lc 24.49; At 1.4). A última oração de Cristo antes da sua crucificação foi pela unidade da Igreja: “a fim de que todos sejam um... eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade...” (leia Jo 17). A unidade é como o perfeito sincronismo entre as peças de um motor, do contrário o motor não funciona. Um bom exemplo bíblico encontrado para unidade está no Salmo 133, escrito por Davi: “Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união! É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desceu sobre a barba, a barba de Arão, que desceu sobre a gola das suas vestes; como o orvalho de Hermom, que desce sobre os montes de Sião; porque ali o Senhor ordenou a bênção, a vida para sempre.” “Sião” aqui representa a igreja, nela o Senhor ordena sua benção. “Não temas, ó filha de Sião; eis que o teu Rei vem assentado sobre o filho de uma jumenta” (Jo. 12:15). “Mas chegastes ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos (Hb 12:22). A palavra união, citada no verso 1 do Salmo 133, não está bem aplicada em nossa tradução. O original hebraico “yachad” significa unidade, ou literalmente a menor fração de unidade, a porção indivisível. Já a palavra união nos dá a idéia de ajuntamento, e não é esse o sentido empregado na expressão original. Unidade é quando o grupo torna-se indivisível, e esse é o fruto da comunhão: a geração de unidade. Davi tenta expressar a força da unidade nos versos 2 e 3: “É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desceu sobre a barba, a barba de Arão... como o orvalho de Hermom, que desce sobre os montes de Sião...” A pessoa de Arão descrita aqui aponta para autoridade, assim como o Monte Sião representa o lugar de onde Yahweh reina: “porque ali o Senhor ordenou a bênção, a vida para sempre.” (leia também Mq 4.7). É difícil para a nossa mente caída compreender o real significado da unidade. É como uma bênção indescritível ordenada por Deus. Davi viu a unidade no seu grupo (2Sm 23.8-23). A força da unidade é algo difícil de mensurar, se é que seja possível medi-la. Porém a unidade torna uma equipe invencível, assim como foram os valentes de Davi, e também como foi a Igreja Primitiva: “eis que enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina” (At 5.28) e “estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui” (At 17.6). Como foi que essa unidade começou? “ e perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão...” A comunhão é o principal fator para geração de unidade na Igreja, e a unidade é o principal fator para o avanço do Reino de Deus na Terra.

3. Partir-do-pão

“Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitando, lhe fechar o seu coração, como permanece nele o amor de Deus?” (1Jo 3.17) “ e perseveravam… no partir do pão...” (At 2.42) Certa vez o Senhor contou uma parábola assim: Certo homem vinha de Jerusalém pelo caminho e foi abordado por bandidos, que lhe roubaram tudo e ainda o agrediram, machucando-o gravemente. Por coincidência passava por ali um sacerdote (ou poderia dizer “pastor” em nossos dias) e não o ajudou. Logo depois passou também um levita (ou poderia dizer “diácono” ou “presbítero”) e também não o ajudou. Mas passando um pecador, vendo-o, teve compaixão daquele homem e o ajudou, tratando das feridas e o hospedando em uma pousada, tudo por conta dele... Esta história está narrada em Lc 10.25-37, e Jesus a contou a fim de responder a um fariseu, ou “um religioso de destaque” em nossos dias, quem era o nosso próximo, e ordenou que, aquele que pensa ser religioso, que seja misericordioso e compassivo e proceda assim também! Cada dia eu estou mais convencido que os dias finais da Igreja estão muito próximos, e o que mais me atenta para isso não são as guerras nem os terremotos, mas é o amor de quase todos que está se esfriando. No original grego, a palavra que descreve amor é justamente “ágape”, o amor compaixão, o amor misericórdia, o amor caridade. E eu pergunto, nós por nós mesmos temos esse amor? Não, então de onde vem? Do Pai. Ou seja, esse amor que se esfriará é dos “crentes”, dos que pensam ser religiosos, dos que um dia foram alcançados por esse amor e dele foram cheios... Perdoem-me a sinceridade irmãos, mas a compaixão está longe de ser uma virtude dos evangélicos em nossos dias. Eu me sinto tão envergonhado disso que não tenho coragem de admitir que sou um cristão, mas digo que estou tentando ser um cristão. Quantos irmãos agora, nesse exato momento, estão com as geladeiras vazias e são membros participantes em nossas igrejas... e a nossa geladeira como está? Ah irmãos... E o seu carro? Quanto custa o seu carro? Ah irmãos... qual a marca e o modelo do jumento de Paulo ou dos apóstolos? Jesus teve algum jumento? Não sei, mas hoje temos tudo isso e não estendemos a mão a “quase” ninguém... por que quase? Por que só ajudamos aquelas pessoas que temos simpatia, que estão vivendo de conformidade com o nosso padrão de mérito para receber alguma ajuda. Deus, tem misericórdia de nós!!
Irmãos sabem qual será o padrão de separação das ovelhas dos bodes lá naquele Dia? “Quando, pois vier o Filho do homem na sua glória, e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e diante dele serão reunidas todas as nações; e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me acolhestes; estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estava na prisão e fostes ver-me. Então os justos lhe perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? Quando te vimos forasteiro, e te acolhemos? ou nu, e te vestimos? Quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos visitar-te? E responder-lhes-á o Rei: Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a mim o fizestes. Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos; porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; era forasteiro, e não me acolhestes; estava nu, e não me vestistes; enfermo, e na prisão, e não me visitastes. Então também estes perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou forasteiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos? Ao que lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixaste de fazer a um destes mais pequeninos, deixastes de o fazer a mim. E irão eles para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna.” (Mt 25.31-46) Caso você ainda não tenha compreendido a verdade a respeito dessa passagem, eu quero de dizer que isso acontecerá no último Dia. Essa situação narrada por Jesus não é uma parábola, nem uma ilustração, mas é uma narrativa do que de fato ocorrerá no Julgamento Final: Quando vier o Filho do homem na sua glória, este se assentará no seu trono e todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará uns dos outros como o pastor que separa as ovelhas dos cabritos... Isso irá acontecer! E esse dia está cada vez mais próximo!! Portanto, fiquemos com a mensagem de João Batista: “Aquele que tem duas túnicas, reparta com o que não tem nenhuma, aquele que tem alimentos, faça o mesmo.”(Lc 3.11) Se queremos ser verdadeiros cristãos, testemunhas de Jesus, representantes do Reino de Deus, então já sabemos o que devemos fazer: “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando” (Jo 15.14).

4- Orações

“Orai sem cessar” (1Ts 5.17) “ e perseveravam… nas orações.” (At 2.42) O Senhor Jesus iniciou seu ministério com jejum e oração por 40 dias, logo após ser batizado (Mc 1.12-13, ver também Mt 4.1-2 e Lc 4.1-2). Além disso, o Senhor orou muito em seus 3 anos e meio de ministério (Mt 14.23; Mt 26.36-44; Mc 6.46; Lc 6.12; Lc 9.28; Lc 11.1; Lc 18.1-8). Os apóstolos buscaram a presença de Deus por 40 dias em oração conforme a ordem Dele antes de iniciarem o ministério da Igreja (At 1.14). O Ap. Paulo permaneceu em Damasco orando, aguardando pela visita de Ananias para que lhe recuperasse a visão (“pois ele está orando” -At 9.11). Em todo tempo Paulo exorta a Igreja à oração (Rm 12.12; Ef 6.17-18; Fp 4.6; Cl 4.2-4). E por que não oramos? É muito triste a constatação que um pastor do qual eu sou muito próximo tem feito em seus congressos. Ele costuma realizar pesquisas anônimas com perguntas assim: “quantas horas de televisão você assiste por dia?”, e a resposta normalmente é: de 3 a 4 horas. E aí tem outra pergunta assim: “e quantas horas de oração você tem dedicado por dia?” A resposta da maioria esmagadora é: menos de uma hora. Na grande maioria não passa de 10 minutos de oração por dia. E isso é no Brasil inteiro! Um dia possui 1440 minutos (um mil quatrocentos e quarenta minutos!). Você acha que seja razoável para um cristão orar 10 minutos de 1440 que ele tem no dia? Você tem idéia do quanto isso representa? 10 minutos de oração representam 0,7% de um dia inteiro! Você considera esse um tempo de qualidade para um cristão? Você acha que Deus escolherá esse irmão para levar o Evangelho do Reino às nações? Você acha que um irmão com 10 minutos de oração está preparado para assumir alguma função no Reino? Pois 95% dos que se intitulam evangélicos no Brasil não dedicam mais do que 10 minutos diários de oração. Isso não é fantasia, é estatística. Fantasia é eu pensar que com essa triste realidade veremos a Igreja triunfar em nossas cidades, conquistando toda a Terra para Jesus. Orar é falar com Deus, entrar na intimidade Dele e conhecê-lo de verdade. O salmo 91 diz assim: “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo...” Habitar não é dar uma passada rápida de 10 minutos não! Habitar significa morar lá, não sair de lá, é montar cabana lá e ficar. Quem habita lá tem uma cópia da chave, está por lá o tempo todo, é fácil encontrá-lo lá, escondido junto do Altíssimo. Eu te pergunto: você tem uma cópia da chave? Lá é o lugar onde o Altíssimo se esconde... você conhece o caminho? Tem a permissão para entrar? Ah irmãos! Como disse Paulo: orai sem cessar! Certa vez aconteceu que Tiago foi preso e morto por Herodes. E não demorou para que Pedro também fosse preso para o matarem, porém havia oração incessante por parte da igreja a favor dele (At 12.5). Pedro não morreu pois o Senhor o livrou pelas orações da igreja, mas Tiago morreu. Iremos nos conformar com as afrontas do inferno contra a Igreja? Iremos aceitar o mundo contra nós? Porque devemos orar sem cessar, irmãos? Porque a oração é o combustível que move o coração de Deus a nosso favor. É a oração que faz com que o céu se movimente e os anjos trabalhem para o nosso triunfo. Não foi por outro motivo que Paulo recomendou: orai sem cessar. A Igreja Primitiva foi vitoriosa em seu chamado porque perseverou nesses quatro pilares: doutrina dos apóstolos, comunhão, partir-do-pão e oração. Não encontro em toda a Bíblia nenhuma condição para que nós, a Igreja de nosso tempo, sigamos outro caminho diferente dos apóstolos. Creio mesmo é que devemos seguir seus passos, sem tirar nem acrescentar nada. 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

TIRADOS PARA FORA PARTE 1

IGREJA: “TIRADOS PARA FORA”


“... e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. (Mt 16.18).
Jesus Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores. Vamos iniciar essa conversa estabelecendo um marco de referência para o pensamento que se seguirá. Quem é Jesus Cristo? Todos sabemos que é o Filho de Deus. Mas por quê? Por que Ele veio ao mundo? Por que Ele morreu na cruz e ressuscitou? A resposta é óbvia para nós cristãos, mas não é tão óbvia para o restante do mundo inteiro. As estatísticas atuais nos informam que aproximadamente 15% da população mundial confessa a fé em Jesus Cristo. Analisando friamente, esse número seria como uma partida de futebol em que Satanás está ganhando de 6 a 1 contra a Igreja. Mas você pode pensar: “Ah, mas a minha igreja está lotada! Temos dois mil membros todos os domingos! Eu estou fazendo a minha parte!” Sim, isso é fato inegável, mas nós estamos tão ocupados em nossas tão afadigosas tarefas que não estamos percebendo, à luz da Bíblia, o enorme risco de fracasso que nós estamos submetendo o Corpo de Cristo na Terra. Já pensou no Dia do Juízo, 6 bilhões de pessoas sendo condenadas ao inferno eterno (vitória pro diabo) enquanto apenas 1 bilhão estará alcançando a salvação? Será que esse roteiro está de acordo com os planos eternos de Cristo em sua morte na cruz? Estamos cumprindo nossa missão? Simplesmente serei salvo e não haverei de prestar contas a respeito disso? O cenário fica ainda pior quando as estatísticas demonstram que apenas 5% dos que se chamam “cristãos” são de fato verdadeiros seguidores de Cristo, aqueles que procuram realmente em tudo seguir os passos de Seu Mestre e fazer a sua vontade. Analise comigo: se de fato a porta é estreita como disse o Senhor em Mateus 7.13-14, isso significa que apenas 0,015% da população mundial alcançará a salvação se o arrebatamento fosse hoje! Você acha justo que Cristo morreu por toda a humanidade e só sejam arrebatados 0,015%? Você acha que não haverá um juízo severo contra nós, os pastores do rebanho Dele? Medite a respeito.

O exemplo bíblico de Igreja

Por que o livro de Atos foi escrito? Seria apenas um livro histórico ou Deus teria alguma intenção maior do que apenas nos fazer conhecer a história? Se nós, pastores, analisarmos Atos de modo restrito, ou seja – caminharmos somente conforme está escrito – então descobriremos que estamos há anos-luz distantes daquilo que o Senhor Jesus ordenou aos seus ministros. Eu costumo dizer que A Igreja Ocidental (essa que está visível por aí) é como um foguete espacial que está com um sério desajuste na sua rota, não obedecendo aos cálculos previamente descritos nos mapas. Por favor, me responda: esse foguete chegará no seu destino final? Por acaso não será trágico o seu fim? Vamos ver o exemplo dos crentes de Beréia, narrado em Atos 17.10: “Ora, estes eram mais nobres do que os de Tessalônica, porque receberam a palavra com toda avidez, examinando diariamente as Escrituras para ver se estas coisas eram assim”.(At 17.10). Infelizmente, não é isso que temos observado na Igreja de Jesus hoje. Não me entenda mal, não estou dizendo que os líderes não são homens honestos, zelosos em sua missão, porém temos aceitado na Igreja o que Cristo chamou de “fermento dos fariseus”, uma tradição humana que nos faz ser muito mais semelhante ao mundo do que à Igreja que conhecemos em Atos. Quase tudo que temos hoje na Igreja é fermento: eventos, palestras, encontros, grupos disso e daquilo, muito entretenimento e ocupação, e quase nada do Evangelho de Cristo. Vamos ler um pouco do Evangelho de Cristo e analisar: “Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? Para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens.Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem os que acendem uma candeia a colocam debaixo do alqueire, mas no velador, e assim ilumina a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” (Mt 5.13-16) “E rogo não somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim; para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.” (Jo 17.20-21) Sejamos humildes e sinceros: nós, pastores e líderes da Igreja de Jesus e todos os membros de nossas igrejas, estamos sendo verdadeiramente sal da terra e luz do mundo? A nossa luz está resplandecendo diante dos homens? Estamos fazendo o mundo crer que Jesus verdadeiramente é o Filho de Deus enviado a salvar a humanidade? Eu posso imaginar o Filho de Deus, Rei dos reis e Senhor dos senhores, julgando em seu trono dizendo assim: “e vós, apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres da minha Igreja, o que fizeram com os talentos que vos confiei?” E nós, sem nenhuma vergonha responderemos assim: “Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres?” E Ele nos responderá certamente com lágrimas nos olhos: “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.” Mas e os dons que operamos em nossas igrejas? E os incontáveis milagres? E os batismos e aulas de formação de líderes etc e tal? Irmãos, com o espírito mais correto tente compreender algo que demorou anos para eu entender, e ainda estou longe de compreender por completo: poucas coisas são necessárias ou até mesmo uma só, e é isso que devemos escolher (leia Lc 10.38-42). Não serão as boas obras que nos conduzirão ao Céu, nem a fé sem as obras, muito menos os diversos dons que o Espírito Santo nos concede, mas será sim o fiel cumprimento da vontade Dele, aquilo que Ele mandou fazer. Ele mesmo disse assim: “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando.” (Jo 15.14) Esta é uma afirmação condicional, só seremos amigos de Jesus se fizermos o que Ele manda. Eu entendo isso como o caráter restritivo da vontade de Deus. É como as coisas funcionam num Reino: você pode ter idéias maravilhosas, fazer coisas extraordinárias, mas só será válido aquilo que fez conforme as ordens do Rei. Reino é isso. E a Palavra de Deus demonstra claramente que o Reino de Cristo é restritivo também. Vamos analisar uma característica forte da Igreja de Atos. Antes de subir ao Céu naqueles últimos momentos com os apóstolos, o Senhor Jesus fez a seguinte declaração: “... Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado...” (Mt 28.18-20) Podemos entender claramente que agora Jesus é Rei e Senhor, e determinou uma ordem aos seus súditos. Eu te pergunto: você teria coragem de desobedecer à ordem de um Rei, sabendo a conseqüência disso? Para nós, ocidentais, é difícil compreender o significado de Reino, mas para os apóstolos, que estavam sob o jugo do Império Romano, foi fácil compreender, principalmente porque agora quem lhes falou foi o Filho de Deus Ressurreto que subiu aos céus. O que eles fizeram em poucos anos ministério? Olha o que o livro de Atos nos conta: “Não vos admoestamos expressamente que não ensinásseis nesse nome? E eis que enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem.” (At 5.28). Confesso aos irmãos que eu não compreendia essa passagem no modo literal, “ipsis literis”. Foi quando eu pedi ao meu Amigo, o Espírito Santo, que me ensinasse e me mostrasse o que realmente essa passagem diz. Foi quando Ele me mostrou numa ilustração uma garrafa de água sendo cheia, cheia... Até transbordar! Foi lindo demais o que eu vi! E é isso o que o Senhor realmente quer da Sua Igreja, encher a Terra com o Evangelho até transbordar, e então vir buscar a sua Amada Noiva. Lembra das tristes estatísticas citadas há pouco? Comparou com o que o ministério dos apóstolos causou em Jerusalém? A cidade, que naquela época tinha aproximadamente 120 mil pessoas, estava tomada pelo Evangelho, não se ouvia outra coisa, senão que Jesus Cristo, o Filho de Deus, veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais nós somos os principais. E nossas cidades? Estão cheias da doutrina dos apóstolos? Vamos analisar outra demonstração do ministério dos apóstolos e comparar com os nossos ministérios: “Porém, não os achando, arrastaram Jáson e alguns irmãos à presença dos magistrados da cidade, clamando: Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui, os quais Jáson acolheu; e todos eles procedem contra os decretos de César, dizendo haver outro rei, que é Jesus”. (At 17.6-7). Amados irmãos, colegas de ministério, sejamos sinceros: Nossos ministérios, nossas vidas, nossas igrejas têm transtornado o mundo? Na tradução de King James, em inglês, isso significa “virar o mundo de cabeça para baixo!” É por isso irmãos que nós precisamos agora, hoje, nesses dias, refletir muito sobre o que temos feito de nossos ministérios e ajustar os ponteiros antes que seja tarde demais. Não apenas as nossas vidas estão em risco, mas a de nossos ouvintes também: “Tem cuidado de ti mesmo e do teu ensino; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem.” (1Tm 4.16)

A ORDEM DO SENHOR JESUS

Vamos assumir o princípio da ordem do Senhor Jesus em Mt 28.19-20: Ide... fazei discípulos... batizando-os... e ensinando-os... ensinando o quê? Todas as coisas que Ele ordenou aos apóstolos! E mais nada! Lembram do caráter restritivo do Reino? Esse é o nosso problema! Queremos fazer outras coisas! Temos muitas idéias etc e tal! Nada disso. Hoje nós estamos mais para pedras de tropeço do que para amigos de Jesus, dando asas à nossa imaginação fértil e esquecendo-se das ordens Dele. Nossa obrigação como pastores é fazer o que Ele mandou: Ir... fazer discípulos... batizar... e ensinar o que Ele ordenou aos apóstolos. Então vamos ver como Jesus formou e pastoreou o Seu primeiro rebanho.

1. “Ide...” Jesus foi o primeiro missionário da Igreja. Ele morava na presença do Pai, e por causa do Seu chamado, então saiu do seu lar celestial e veio para cá, entregando a Sua vida por resgate de muitos. Essa é a regra número 1 de apostolado (apóstolo = enviado = missionário): sair de sua terra e entregar a sua vida por resgate de um povo, até mesmo morrendo lá se isso for necessário. Foi Ele quem estabeleceu o padrão para ser discípulo Dele: “Em seguida dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, esse a salvará.” (Mt 16.24-25, Mc 8.34-35, Lc 9.23-24) Nenhum de nós encontrará nas Santas Escrituras alguém convidando outra pessoa para “vir à minha igreja”. Não é esse o padrão da Igreja Bíblica, vamos assim dizer. Nos tempos de Jesus, Ele mesmo ia por “todas as cidades e povoados, ensinando e pregando o evangelho do reino e curando os enfermos” (conforme Mt 9.35). Quando Ele chamou os discípulos, os ordenou a fazer a mesma coisa em Mt 10.5: “A estes doze enviou Jesus...”, nem preciso citar a ordem em Mt 28.19: “Portanto, ide...”. Quando Barnabé e Saulo foram separados pelo Espírito Santo para o apostolado, o texto diz em At 13.3: “Então, jejuando e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram.” Irmãos, conseguem perceber que o sentido bíblico é “para fora”? Não é “para dentro”. Mas aí você pode me perguntar: Mas você confia em seus obreiros a ponto de enviá-los, assim, sem controle? Eu ouço muitos pastores fazerem essa pergunta: Como controlar isso? Meus irmãos é justamente por isso que temos no modelo bíblico a resposta para essas perguntas. Agora eu pergunto: quem nos controla? Não somos nós guiados pelo Espírito Santo? Não somos nós guiados por Ele de forma que nossos discípulos possam tornar-se como nós ou até melhores do que nós? Se esse não tem sido o resultado do nosso ministério, então estamos falhando gravemente com nossos discípulos. Nós, pastores, estamos negligenciando a vocação que nossos discípulos têm de se tornarem maiores do que nós. Resultado: 6 a 1 pra Satanás... “Fazei discípulos...” Então, Jesus, logo no início do seu ministério, começou a chamar seus discípulos, começando por Pedro, André, Tiago e João, dizendo assim: “E Jesus, andando ao longo do mar da Galiléia, viu dois irmãos -Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, os quais lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. Eles, pois, deixando imediatamente as redes, o seguiram. E, passando mais adiante, viu outros dois irmãos -Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, no barco com seu pai Zebedeu, consertando as redes; e os chamou. Estes, deixando imediatamente o barco e seu pai, seguiram-no.” (Mt 4.18-22) Como diz um amigo meu: agora o cinto vai apertar! Amigo pastor, você que agora está lendo esse estudo, eu te pergunto: será que vale a pena te seguir? Será que vale a pena alguém largar tudo e seguir o seu ministério? Sejamos sinceros, nós estamos mentindo para nossas ovelhas, ajudando-as a ajustar o chamado de Deus com suas vidas naturais porque, afinal de contas, “precisamos comer”, é o que eu sempre ouço. Não foi isso que o Senhor fez! Ele chamou uma vez só e os discípulos largaram tudo! Será que Jesus não sabe que eles têm necessidades naturais? Lembram do caráter restritivo do reino de Deus? O Rei chamou! Devo obedecê-lo? Ou devo de alguma forma tentar conciliar a vida natural dos meus discípulos com a jornada cristã? Não estou defendendo que ninguém deva trabalhar, mas estou falando da verdade da palavra de Deus, que nossa motivação deve ser sempre buscar primeiramente o Reino de Deus e a sua justiça, e as demais coisas nos serão acrescentadas (Mt 6.25-34 e Lc 12.22-34). Esse deve ser o fator número um em nossos seguidores, e só será assim se eles verem em nós o exemplo e entenderem que vale a pena nos seguir: “E eu vos farei pescadores de homens”. Vamos falar um pouco de Levi. Se um homem de alta posição hoje entrasse em nossas igrejas, teríamos a coragem de convidá-lo a largar tudo e tornar-se nosso discípulo? Pois foi exatamente isso que Jesus fez com Levi: “Depois disso saiu e, vendo um publicano chamado Levi, sentado na coletoria, disse-lhe: Segue-me. Este, deixando tudo, levantou-se e o seguiu.” (Lc 5.27-28) É por causa dessas coisas escritas na Bíblia que eu creio que haverá um rigor seríssimo contra nós pastores no dia do Juízo, porque não estamos vivendo o Evangelho e nem exercendo nossos ministérios a exemplo do Mestre, se é que podemos chamá-Lo assim. Nós achamos tudo lindo na Palavra de Deus, tudo maravilhoso, dizemos que a Bíblia é o nosso manual, porém não seguimos os seus passos. Somos fariseus hipócritas na melhor definição da palavra! A verdade é que somos estéreis, impotentes, e não somos capazes de conquistar o coração de um discípulo de modo que este “largue tudo” para alcançar a sua herança. Por quê? Por causa disso: “Não é o discípulo mais do que o seu mestre, nem o servo mais do que o seu senhor. Basta ao discípulo ser como seu mestre, e ao servo como seu senhor. Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos?” (Mt 10.24-25) Será que somos parecidos com Jesus? Nossas palavras, nossos atos, nossos gestos de amor, refletem a Cristo? Perdoem-me os irmãos, e eu também me incluo nisso, mas a nós cabe apenas ser como Ele é. Se Cristo, sendo Deus, assumiu a forma de servo, devo eu assumir a forma de um mega-empresário? Se Cristo entregou a sua vida por resgate de muitos, devo eu cuidar da minha vida com luxo e conforto? É por isso que hoje não temos discípulos a exemplo dos que encontramos na Palavra de Deus, porque simplesmente as pessoas não encontram em nós líderes que valem a pena seguir, viver e até mesmo morrer se for necessário. Vejam que detalhe importante encontramos em Mt 10.1 e 5: “E, chamando a si os seus doze discípulos, deu-lhes autoridade...” “A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções...” Liderar significa ir à frente. Para ser um bom líder é preciso delegar autoridade e dar instruções claras e bem definidas. Foi exatamente isso o que fez o nosso Mestre, e ele não esperou muito tempo para fazer isso: ele chamou, ensinou e já os enviou, delegando a sua própria autoridade e dando-lhes instruções de como deviam agir. Parece simples, não é mesmo? E é simples assim! Nós pastores é que complicamos as coisas... Precisamos reconhecer e ser como nosso Mestre. Como líderes do Reino de Deus precisamos retransmitir de modo bem claro as instruções do Senhor aos seus súditos, começando por mim e por você. Se nossos liderados verem em nós a autoridade que Cristo delegou aos apóstolos e verem em nós a obediência que foi notável na vida deles, é certo que então valerá a pena nos seguir, porque só assim teremos a autoridade de Cristo na Terra.  “Batizando-os...” Batizar significa “imergir” ou “molhar totalmente”. Isso aponta para “passagem de um lado para outro”, ou passar “de seco para molhado”. Quando Jesus chamou os discípulos, Ele foi claro em definir que era necessário uma mudança radical, ou melhor, um novo nascimento: “Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” (Jo 3.3) “Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.” (Jo 3.5) “Não te admires de eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo.” (Jo 3.7) O que Jesus nos ordenou como ministros do Reino de Deus foi tornar bem claro a todos os ouvintes do Evangelho que, se realmente querem ingressar o Reino de Deus, precisam passar “de um lado” para “o outro lado”, precisam passar de “secos” para “molhados”. Os que decidem seguir a Jesus precisam demonstrar de modo muito claro que mudaram de vida, abandonaram “o outro lado”, deixaram de ser “secos” e agora estão “imersos”, “totalmente molhados”. Não podemos simpatizar com os nossos ouvintes a ponto de negligenciarmos a verdade que os converterá das trevas para a luz. Filipe mostrou ao eunuco que importava ser salvo pela fé em Jesus. O eunuco entendeu que era caso de vida ou morte para ele. Por isso ele tão logo viu um lago já decidiu passar para o outro lado. Por que hoje é tão comum haver pessoas “desviadas” do Evangelho? Na minha cidade há mais desviados do que crentes praticantes! Se todos eles decidissem hoje voltar às igrejas, não haveria lugar para os “crentes” sentarem! Na sua cidade é assim também? Por quê? Por que não estamos ensinando de modo claro que seguir a Jesus não é melhorar de vida, não é incluir um acessório em seu modo de viver, mas abandonar o mundo e sujeitar a minha vida ao senhorio Dele. Isso é sair de um reino e entrar em outro. Há um preço a pagar, e precisamos ensinar a verdade: “...E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim” (Mt 10.38). “Ensinando-os...” Se tem um ponto forte onde o Mestre dedicou-se muito foi na formação dos seus discípulos. Ensinar foi o que Jesus mais fez em seus três anos e meio de ministério. Eu acredito que, se nós queremos ter líderes bem formados, a exemplo dos discípulos de Jesus, então, devemos dedicar-nos muito a ensiná-los... o quê? Tudo o que o Senhor ordenou aos apóstolos. Onde estão esses escritos? Resposta: Nos Evangelhos! Ali estão todas as respostas para a formação de líderes parecidos com Jesus: apaixonados pela obra, que amam uns aos outros, que se compadecem do próximo, que estabelecem padrões de santidade e caráter dignos de ministros do Senhor, assim como foram os apóstolos. Vamos ler alguns textos do Mestre ensinando, começando pelo episódio no templo quando Ele tinha apenas 12 anos de idade: “E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os, e interrogando-os. E todos os que o ouviam se admiravam da sua inteligência e das suas respostas.” (Lc 2.46-47) “Jesus, pois, vendo as multidões, subiu ao monte; e, tendo se assentado, aproximaram-se os seus discípulos, e ele se pôs a ensiná-los, dizendo: Bem-aventurados...” (Mt 5.1-3) “Ao concluir Jesus este discurso, as multidões se maravilhavam da sua doutrina; porque as ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas.” (Mt 7.28-29) “Outra vez começou a ensinar à beira do mar. E reuniu-se a ele tão grande multidão que ele entrou num barco e sentou-se nele, sobre o mar; e todo o povo estava em terra junto do mar. Então lhes ensinava muitas coisas por parábolas...” (Mc 4.1-2) “..Quando tiverdes levantado o Filho do homem, então conhecereis que eu sou, , assim falou”. (Jo 8.28) Nos Evangelhos existem 48 passagens onde o Senhor está ensinando, e 29 onde o Senhor efetuou curas... vê a diferença? Não significa que curar seja de menor importância, mas Jesus enfatizou o .os apóstolos que se sucederia. E tudo o que Ele ensinava está nos Evangelhos! Não precisamos complicar, basta seguir os passos do Mestre. Tem algum ensino necessário que não esteja nos Evangelhos? É claro que a Bíblia inteira é importante, isso é inquestionável, mas a pergunta é: falta alguma coisa nos Evangelhos? Ali está a essência do caráter de Deus, do amor ao próximo, santidade, compaixão, liderança, salvação... Está tudo ali! “Ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado...” Tudo o que Jesus ordenou estão nos Evangelhos, sim ou não? Foi o que Jesus ensinou, e considero razoável que nós, pastores, sigamos o exemplo Dele.

domingo, 1 de janeiro de 2017

IGREJAS EM CASA

Graça e paz, amados irmãos em Cristo,
Estou voltando da viagem à Goiânia para o 17º Encontro Profético da MCM(www.mcmpovos.com) e o tema central desse Encontro foi: Se o meu povo se humilhar e orar... (2Cr 7.14). A pergunta é: Como poderemos fazer a obra de Deus, à maneira de Deus? A resposta é óbvia: Seguindo o padrão das Escrituras. Então, por que não fazemos isso?
Hoje, 99,9% dos cristãos no Brasil não sabem dessa notícia, mas agora mesmo existem 2 mil igrejas secretas (em casas) na Arábia Saudita, e em todas elas o nome de Jesus é adorado e o nosso Senhor é servido... Nessas igrejas domésticas os irmãos se encontram frequentemente para serem edificados na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir-do-pão e nas
orações (At 2.42). As igrejas na Arábia não param de crescer, novas conversões por Cristo e batismos são realizadas todos os dias, mesmo numa das piores nações para um cristão viver... Por quê? Quem responde é o Pr. L.J., apóstolo naquela nação e que deu esse testemunho numa das suas palestras.
Ele disse o seguinte:
Na Arábia, nós não cremos no evangelho da prosperidade; nós cremos sim é no evangelho da
perseguição. E o resultado da perseguição lá? Mais de 40 mil cristãos que testemunham diariamente sua fé em Cristo, sem medo, mesmo em face da morte, a seus conterrâneos árabes muçulmanos. Há 30 anos atrás, numa região da Índia conhecida entre os cristãos como
cemitério de missionários, um dos piores lugares do mundo para um cristão
viver, não existia o registro de nem um cristão sequer. Mas hoje, 27 anos
depois, existem lá mais de 20 mil cristãos que se reúnem secretamente em
lares para edificarem uns aos outros na fé em Cristo
. Como isso aconteceu?
Em 1985, uma equipe de 17 irmãos chegou a essa região e incansavelmente
testemunharam sua fé em Cristo, segundo o exemplo da Igreja Primitiva. Em
1985, nenhum cristão... Hoje, 20 mil cristãos! Qual o segredo? Fazer a obra
de Deus, à maneira de Deus ensinado nas Escrituras.
No livro de Atos nós temos os maiores exemplos de avivamento de toda a
história da Igreja: em Atos 2, em uma só pregação de Pedro, quase três
mil almas se convertem... Qual o foco da mensagem: "Arrependam-se..." (2.38).
O resultado em Jerusalém é que todos foram expostos ao Evangelho, em toda
cidade não se falava em outra coisa senão em Cristo ressurreto dentre os
mortos: "Não vos admoestamos expressamente que não ensinásseis nesse nome?
Mas eis que enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina e quereis lançar sobre
nós o sangue desse homem" (At 5.28). O que Pedro e João ganharam
testemunhando o evangelho de Cristo? Eles ganharam perseguição, e também a
cidade toda.
"Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre
resistis ao Espírito Santo; como o fizeram os vossos pais, assim também vós. A qual dos profetas não perseguiram vossos pais? Até mataram os que
dantes anunciaram a vinda do Justo, do qual vós agora vos tornastes
traidores e homicidas, vós, que recebestes a lei por ordenação dos anjos,
e não a guardastes." (At 7.51-53)
Após o testemunho de Estêvão diante do Sinédrio, o que ele ganhou por ser
fiel testemunha de Cristo? Perseguição, prisão, apedrejamento e morte. Uma
pergunta: em qual evangelho Estêvão cria? No evangelho da prosperidade ou
no evangelho da perseguição? Obviamente sabemos a resposta. E depois da
morte de Estêvão, o que a igreja de Jerusalém ganhou testemunhando o
evangelho de Cristo? Eles ganharam uma grande e intensa perseguição,
fazendo-os dispersar por toda a Judéia e Samaria (8.1,3,4). Porém, podemos
ver ali que a perseguição é a condição que propicia o avivamento em toda
a Judéia. Perseguição e avivamento andam juntos então? (8.5-8)... Guarde
esse pensamento por enquanto...
"Por aquele mesmo tempo o rei Herodes estendeu as mãos sobre alguns da
igreja, para maltratá-los; e matou a espada Tiago, irmão de João. Vendo
que isso agradava aos judeus, continuou, mandando prender também a Pedro."
(At 12.1-3)
Voltemos agora à questão proposta inicialmente no Encontro Profético da
MCM: Como poderemos fazer a obra de Deus, à maneira de Deus? Seguindo o
padrão das Escrituras... Sabemos então que o paradigma “o padrão”
 ou “o prumo” a ser seguido pela Igreja da atualidade é a Igreja de
Atos. Mas, por que, não o fazemos então? Por que, sabendo a maneira como a
Igreja de Atos foi tão bem-sucedida em sua missão, nós não seguimos os
passos já anteriormente ensinados pelo Mestre e pelos apóstolos? (Mt
10.17-22,24-26,34-39; Jo 16.33)... A resposta é simples: é porque hoje NÓS
ESCOLHEMOS A OBRA QUE QUEREMOS FAZER, MAS NÃO FAZEMOS O QUE O SENHOR NOS
ORDENOU QUE FIZÉSSEMOS (Lc 6.46).
Infelizmente, o que temos testemunhado hoje é uma igreja simpática ao
mundo, cuja mensagem é agradável aos ouvidos... Uma mensagem que não
confronta o pecador diante de Deus. O comportamento atual da igreja
simpatizante ao mundo está em perfeita harmonia com as advertências contra
a apostasia, perigo inevitável e evidência crucial para os tempos do fim:
 
"Eu sei que depois da minha partida entrarão no meio de vós lobos cruéis
que não pouparão rebanho, e que dentre vós mesmos se levantarão homens,
falando coisas perversas para atrair os discípulos após si." (At 20.29,30)
 
"Irmãos, sede meus imitadores, e atentai para aqueles que andam conforme o
exemplo que tendes em nós; porque muitos há, dos quais repetidas vezes vos
disse, e agora vos digo até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo;
cujo fim é a perdição; cujo deus é o ventre; e cuja glória assenta no
que é vergonhoso; os quais só cuidam das coisas terrenas." (Fp 3.17-19)
 
"Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns
apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de
demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria
consciência cauterizada." (1Tm 4.1,2)
"Sabe, porém, isto, que nos últimos dias sobrevirão tempos penosos; pois
os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos,
blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios, sem afeição
natural, implacáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, inimigos do bem,
traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de
Deus, tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder. Afasta-te também
desses." (2Tm 3.1-5)
"Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande
desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os
seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se
voltarão às fábulas." (2Tm 4.3,4)
A qual evangelho pertencemos? A um evangelho simpático ao mundo? Um
evangelho que anda de mãos dadas com o amor ao dinheiro e à busca por
herança nesta terra? Um evangelho que se esquiva de obedecer à vontade
daquele que é o único Senhor, que comprou para Deus homens de toda tribo,
língua, povo e nação? Ou ao evangelho da Cruz, o evangelho que confronta
toda a humanidade diante de Cristo e este crucificado, do qual cada um terá
que decidir por segui-Lo ou rejeitá-Lo? E, se alguém decidir por tornar-se
discípulo Dele, estará disposto a viver de modo digno do Senhor, para o
inteiro agrado Dele, segundo a vontade Dele?
"Estou admirado de que tão depressa estejais desertando daquele que vos
chamou na graça de Cristo, para outro evangelho, o qual não é outro;
senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de
Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro
evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema. Como antes temos
dito, assim agora novamente o digo: Se alguém vos pregar outro evangelho
além do que já recebestes, seja anátema." (Gl 1.6-9)
Qual o seu evangelho? O evangelho que nós cremos é o evangelho bíblico, da
perseguição por amor a Cristo, de inimizade com o mundo, o evangelho que
aponta para o Céu.
"Mas a nossa pátria está nos céus, donde também aguardamos um Salvador, o
Senhor Jesus Cristo, que transformará o corpo da nossa humilhação, para
ser conforme ao corpo da sua glória, segundo o seu eficaz poder de até
sujeitar a si todas as coisas. Portanto, meus amados e saudosos irmãos,
minha alegria e coroa, permanecei assim firmes no Senhor, amados." (Fp
3.21-4.1)
Amados, temos novidades no website:
Discipulado: "Uma decisão, dois caminhos"
Este é um estudo sobre as diferenças incompatíveis entre os padrões de
valores para o reino de Deus e o reino do mundo... Nos últimos 30 anos da
igreja ocidental temos ouvido um evangelho centralizado no homem, nas suas
satisfações, e não na pessoa do Senhor Jesus... Qual caminhos temos
seguido? Esta é uma reflexão bíblica a respeito da porta apertada e do
caminho estreito que é o evangelho de Cristo.
http://www.cristoemvos.com.br/doiscaminhos
 
Comunhão: Estudo sobre os princípios elementares da doutrina de Cristo
Esta é uma série de estudos em MP3 onde nos aprofundamos naquilo que o
autor aos Hebreus chamou de "princípios elementares da doutrina de Cristo".
Ainda que ele se refira a esses princípios como "leite espiritual", cremos
que muitos desses tópicos são negligenciados na doutrina atual da Igreja
como alicerces necessários para uma genuína edificação da fé cristã,
sendo estes itens fundamentais para o crescimento espiritual com vistas à
maturidade.
http://www.cristoemvos.com.br/estudo-principios-mp3
 
Comunhão: Estudo bíblico sobre a Igreja
Estamos disponibilizando aqui mais alguns estudos onde nós procuramos
aprofundar no entendimento bíblico sobre a Igreja de Cristo, sua vocação,
seu modo de caminhar e sua correta forma de expressão ao mundo.
http://www.cristoemvos.com.br/estudo-igreja-mp3
 
Galeria de fotos: Batismo em 25/03/2012
Relizamos aqui em Paranaguá mais um batismo, mais um momento de alegria nos
céus com a vinda de mais uma vida para o reino eterno de nosso Senhor, e a
confirmação de mais uma criança que decidiu amar o Amado Senhor Jesus.
Glória a Deus!
Que a intimidade e a comunhão com Cristo pela palavra e pela oração vos
façam transbordar do conhecimento da vontade de Deus, nesses tempos finais.
 
Em Cristo,
Marcio e Luciana. Paranaguá-PR

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

DEUS PERDOA OS ADÚLTEROS?


Na verdade, este texto de Mt 19:9 sugere o sentido que o escritor dá as palavras de Jesus em aramaico e depois escritas em grego coinê:


porneia: fornicação
Palavra Original: πορνεία, ας, ἡ 
parte do discurso: Substantivo, Feminine Transliteration: porneia ortografia fonética: (por-nô-ah) Definição sucinta: fornicação, idolatria Definição: fornicação, prostituição; satisfeitas: a idolatria.



AJUDA estudos palavra-
4202 Porneia (a raiz dos termos ingleses "A pornografia, pornográfico"; cf. 4205 / pornos ), que é derivado de pernaō , "para vender off") - corretamente, a venda off (rendendo) de pureza sexual; promiscuidade de qualquer ( cada) tipo.

"Venda do corpo". Jesus MENCIONOU que a "venda do corpo" é a causa legítima das separações. Mas alguém pode duvidar disto, simplesmente olhando para dinheiro. Porém, o espírito do que está escrito é mais profundo.

Esperavam que Jesus respondesse a questão de maneira universal, e não de modo restrito, relacionando a questão com os acontecimentos da época (contextualizando).

Ninguém se preocupava com a mulher repudiada. O questão dos escribas e os zelosos da Lei (fariseus) era o motivo do repúdio. Licito ou não? Uma vez repudiada, o futuro da mulher seria incerto. Talvez a sujeição ao trabalho escravo, outras vezes a mendicância, mas na maioria das vezes o fim era a prostituição. Israel estava produzindo uma sociedade feminina marginal (à margem)

Até hoje queremos discutir a licitude do divórcio. Ninguém quer ouvir o que o Mestre está ensinando: por onde ele começa e as consequências de um divórcio.

Todo divórcio se inicia por cobiça. E toda cobiça é uma forma de idolatria.

E estas coisas foram-nos feitas em figura, para que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Não vos façais, pois, idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para folgar. 1 Coríntios 10:6-7

Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: a fornicação, a impureza, a afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria; Colossenses 3:5

Porque é bastante que no tempo passado da vida fizéssemos a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias; 1 Pedro 4:3

Portanto, meus amados, fugi da idolatria. 1 Coríntios 10:14

Enquanto muitos atribuem o sentido da idolatria a culto de deuses pagãos e a imagens de escultura, Jesus atribui a COBIÇA!

Então Jesus está dizendo: "Quando o cônjuge, decide COBIÇAR, então o divórcio é lícito!

Mas esperem um pouco! Lembram do Evangelho?

Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela. Mateus 5:28

ÔPA!

Então, todos são porneia! Todos são prostitutos! E agora? Quem pode se julgar no direito de exigir o divórcio?

Voltemos a questão do "vender o corpo"!

Quando uma pessoa decide fazer sexo por qualquer motivação que não seja a simples necessidade do equilíbrio físico, emocional e relacional, exite uma venda!

Quantas vezes já fizemos sexo sem qualquer envolvimento com alguma destas licitudes? Apenas para cumprir a "obrigação"? Quem mais cumpre as "obrigações": o homem ou a mulher? Em geral, quem se torna mais "objeto de satisfação": o homem ou a mulher?

Jesus estava avaliando o relacionamento conjugal entre homens e mulheres, e as motivações que resultavam em separações, e finalmente, as consequências destas separações para as mulheres, que eram (na época) objetos de satisfação sexual, E DISSE:

Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério. Mateus 19:9

O interessante é que apenas os discípulos discerniram o que Jesus estava dizendo:

Disseram-lhe seus discípulos: Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar. Ele, porém, lhes disse: Nem todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a quem foi concedido. Mateus 19:10-11