terça-feira, 3 de setembro de 2013

INTIMIDADE COM DEUS

Estamos vivendo em um tempo em que muitos têm procurado uma posição mais elevada, talvez um nível mais elevado na comunhão com Deus Pai, alguns a tem chamado de “intimidade com Deus”. Mas o que percebo, muitas vezes, são poucos aqueles que verdadeiramente a estão alcançando, e por quê? Será que temos acessado corretamente o caminho para estarmos na intimidade com Deus? Nossa pretensão aqui não é determinarmos “fórmulas” espirituais, ou “chaves” que abram o coração de Deus, mas o de olharmos juntos para alguns aspectos de nossas vidas que com certeza nos impediriam da verdadeira comunhão íntima com o Pai!
Na verdade o que queremos neste estudo é trazer, à luz da Palavra, uma direção que poderá nos levar a uma posição mais elevada de nosso relacionamento com o Senhor.
Faremos uso do termo “pré-requisito” que nos credenciam para a intimidade. Não é nada novo para aqueles que conhecem algumas doutrinas bíblicas que costumeiramente são usadas com nomes poucos compreensíveis. Falamos da justificação, regeneração, santificação e adoção. Tentaremos resumi-las preservando o conteúdo necessário para esta ministração, visto que a simplicidade é uma das características do evangelho de Cristo (2Cor. 11:3- 4).
Tudo em nossa vida espiritual se faz realizar por meio da Palavra e do Espírito Santo de Deus. Tudo o que se refere ao conhecimento de Deus e a busca pela íntima comunhão só se faz por intermédio da Palavra e do Espírito Santo (Jo. 16: 7-15). Eles atuam em nosso espírito, não em nossa alma, muito menos em nosso corpo, em nosso espírito. A razão é muito simples. Nosso corpo corruptível (1 Cor. 15:50, 53-54) foi crucificado com Cristo (Rm. 6:6), sendo assim, este corpo, para aqueles que crêem, não pode oferecer nada de bom a Deus. Ele foi crucificado com Cristo porque não é bom, não pode fazer nada de bom. Mas nosso espírito pode usá-lo a fim de produzir sacrifícios visíveis e aceitáveis a Deus (Rm. 6: 18,19) e para que o evangelho venha a ser anunciado a todos os homens.
Não obstante, fica algo para ser tratado: nossa alma. Ela dominava nosso corpo a fim de servimos ao pecado. Agora ela precisa ser dominada pelo nosso espírito a fim de não mais servimos ao pecado, mas sim a Deus. Tudo o que fazemos por intermédio da alma chamamos de “as obras da carne!” (Gl. 5:19-21). Nossa alma, ou nossa psiquê (grego), ou nosso ego (mais comumente conhecido), deve ser tratada pela palavra de Deus a fim de alcançar a sua santificação e salvação (1Cor. 7:1; Fl. 2:12; 1 Ts 5:23).
É assim que percebemos se estamos entrando em verdadeira adoração. Se for emocional, é da alma, nossa carne. Deus não aceita adoração da carne (Jo. 4:23), para muitos isto vai ser de difícil entendimento, pois se acostumaram a adorar a Deus com sua alma e não com seu espírito! Erroneamente quando buscamos a Deus precisamos mover a oração com algum sentimento (p.ex. emoção: ouvindo um louvor) estamos misturando emocional com o que deveria ser somente espiritual. O Pai não quer ouvir a tua oração Ele que ver a tua atitude de oração! (Mt. 6:6 veja o verbo no versículo).
Hoje temos uma igreja muito almática e pouco espiritual. Ela precisa que algo mexa com sua alma, por exemplo, para que ela chore na presença de Deus. Gosto de uma letra que diz:... “No silêncio Tu estás...” (Eu te busco). É quando estamos totalmente em silêncio que podemos ouvir a voz do Espírito de Deus e reconhecê-la em nosso espírito, e não confundí-la com a voz da nossa própria alma (Sl. 42), ou ainda, ouvindo Satanás falando em nossa alma (pois ele não pode falar em nosso espírito) pensando que é a voz de Deus. É por isso que muitos já se acostumaram a ser movidos pela a emoção e não conseguem verdadeiramente adorar o Pai. Eis a grande diferença entre os profetas do passado e a geração almática do presente século. Tecnologia! Deus não quer ouvir tecnologia, ele quer só te ver e estar em comunhão contigo!
Grave bem isto: O Espírito Santo não fala em tua alma ele fala em teu espírito! Cuidado, não queira estar com a tua alma na presença dEle, ela precisa ser tratada, pois ela ainda é a nossa carne! (Jo. 4:24; Rm. 8:5-8; Gl. 5: 16,17).
É imprescindível a ação direta e única (sem recursos naturais) do Espírito Santo de Deus a fim de obtermos intimidade com o Pai(2 Cor. 3:5-6; Fl. 3:3) e O adorarmos em espírito e em verdade (Jo. 4:24; 15:5).
O segundo “pré-requisito” é reconhecermos e aceitarmos a nossa justificação através da fé em Cristo (Rm. 5:1), visto que nosso corpo do pecado foi crucificado com Cristo e nossa alma precisa ser tratada. Com a justificação, podemos alcançar a herança dos filhos de Deus (santa vocação) com que trata em Col. 1: 19-20; 2 Tm. 1: 9-10. Intimidade é para com os filhos reconciliados em Cristo; estamos aqui decifrando o ato da justificação, ou seja, um ato exclusivo de Deus. O “processo” que Deus usou para nos reconciliar com Ele, a justificação, não requer nossa participação como aquele que poderia contribuir para com Deus para a realização do ato salvívico, mas requer de nós que acreditemos e aceitemos como única forma de encontrarmos intimidade. Através deste processo, com firme convicção (fé), tomamos posse desta benção (Rm. 3: 21-31; Gl. 2:16). Portanto o segundo passo é a fé, pois sem fé é impossível a intimidade (Hb. 11:1-11). Fé que temos comunhão, através da pessoa de Jesus Cristo, com Deus Pai; e isto porque Deus já nos deu, através do sacrifício de Cristo na Cruz, a posição de Justos perante Ele.
Neste momento, já podemos crer que a presença do Espírito de Deus já se faz em nossas vidas (Gl. 4: 4-6), pois Ele já enviou aos nossos corações o Espírito de Seu Filho! Mas queremos mais, queremos desenvolver uma íntima comunhão com Ele.
Vamos ao terceiro “pré-requisito”: a nossa regeneração. Talvez para alguns um processo instantâneo, para outros são longos anos de busca. Creio ser o processo mais difícil que nos envolve. Chamado também de o “novo nascimento”, ele está muito bem referenciado em todo o novo testamento (Jo. 3: 1-6). Para nascer de novo é necessário passarmos pela morte (Jo. 12:24-25; 1 Cor. 15:36). Na verdade esta nossa morte já foi manifestada (Rm. 6: 6-7; Gl. 2:20). Paulo usou a expressão “Estou crucificado” não porque ele tenha subjugado totalmente a sua alma, mas porque ele apropriou-se, através de sua fé em Jesus Cristo, unindo-o pela fé, a sua morte com a de Cristo.
Quando cremos que verdadeiramente nosso corpo do pecado foi morto juntamente com Cristo então passamos pelo novo nascimento, e declaramos, que em nosso ser natural não há nada de bom que possa glorificar a Cristo. Ainda outro texto que pode nos ajudar neste mistério, em Gl. 6:14 “Longe de mim gloriar-me (nada de bom em si mesmo), a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo (porque lá está o corpo do pecado de Paulo), pela qual (Cruz), o mundo está crucificado para mim, e eu (não usa mais o seu corpo para o pecado) para o mundo” (grifo nosso).
Nossa alma quer buscar alegria, paz, amor, segurança, enfim qualquer coisa relacionada com uma felicidade e bem estar, então ela usa nosso corpo, olhos (cobiça dos olhos), ouvidos, tato, olfato, enfim todos os nossos sentidos e vai buscar no mundo, nas coisas naturais, estes sentimentos para suprir sua necessidade de felicidade. Mas no mundo não está Deus, nem a verdadeira paz (Jo. 14:27; 1 Jo. 5:19)! Por isso, este “nascer de novo” se torna o mais difícil de todos os processos de Deus em nossas vidas. Alguns levam anos para se convencer deste chamado 2 Cor. 5: 14-17, mas não podemos alcançar intimidade sem passarmos pelo novo nascimento (Is. 59: 1-2). Ou seja, Deus tira a nossa vida e coloca em nós a vida de Seu Filho (Col. 3: 1-17; 1 Pe. 1; 22-23; 1 Jo. 3: 9-11).
Sabemos que todas estas doutrinas (ensino) são cansativas no sentido de as compreendermos, mas como já dissemos no inicio, são “pré-requisitos” para uma intimidade com Deus.
Em quarto lugar, a Santificação. Vamos exemplificar o que não é santificação, visto que alguns se têm desviado dela, pois acreditam em conceitos fracos de santificação, como o castigar a carne (corpo), preocupação com trajes, comida e bebida (Rm. 14:1-22; Col. 2:6-23; 1 Pe. 3:1-7).
A Palavra de Deus nos anima a sermos santos (1 Cor. 1:8; Ef. 1:4; 5:27; Fl. 2:15; 3:6; Col. 1:22; 1 Ts. 3:13; 1 Tm. 3:2; Tt. 1:17; 1 Pe. 1:14-16; 2 Pe. 3:14; Jd. 24; Ap. 14:5 e outros) e se Deus diz que podemos ser santos por quê negarmos este conceito? O que muitos confundem é o poder de Deus manifestado em nossas vidas (através de dons e ministérios) com a vida de santificação. Uma coisa pode existir sem a presença da outra e vice-versa.
Mas vamos ao exemplo daquilo que não é santificação, pois ela é pré-requisito não só para intimidade, mas principalmente para a vida eterna (Hb. 12:14).
Agora vem revelação!
Vamos analisar três textos (leia-os pelo menos cinco vezes) e depois compararemos um com o outro. Em Mt. 1:25a: “... e não a conheceu (teve relacionamento íntimo com ela) enquanto ela não lhe deu à luz um filho”.
Agora em Mt. 7: 23-24 “... nunca vos conheci...” (teve intimidade). A semelhança entre estes dois textos é o verbo “conhecer” que no original trazem a mesma palavra em ambos os textos. Eles estão empregados no mesmo sentido: ser íntimo de..., ter relacionamento intimo com... Portanto, cuidemos com este engano: Ministérios e dons espirituais não são certificados de vida santificada, e muito menos de intimidade com Deus. O que também pode confundir são os “atos legalistas”. A necessidade de alguns em se prenderem a determinados dogmas (farisaísmos) e conceitos humanos (legalismos), acreditando que isto serviria a vida de santificação (Gl. 1: 6-14; 3: 1-5; 4: 1-5; 1 Tm 1: 5-11). Na verdade isto é o poder da alma tentando agradar a Deus!
Por último em Gl. 4:19 “meus filhinhos (teknon – menino de colo), por quem de novo sinto as dores de parto até que Cristo seja formado (gerado) em vós”. Ao compararmos estes textos há um encontro de mistérios. Por que a Palavra cita este detalhe de José não ter relações com Maria (intimidade) enquanto Cristo não fosse gerado, e ela não lhe desse a luz? A trindade é revelada aqui de uma maneira assombrosa! Deus disse: “Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão ambos uma só carne.” (Mt. 19:5). Ser íntimo é fundir-se um ao outro, mas isto só é possível quando Cristo for gerado em nós!
Do mesmo parecer Paulo diz sentir contrações, dores até que Cristo fosse gerado nos corações dos Gálatas. Deus Pai, quer intimidade com seus filhos (igreja), mas primeiro ela deve gerar Cristo (2 Cor. 3: 18; 4: 5-6; Fl. 2:15). Enquanto esta “gestação” não termina, O Espírito de Deus sente as aflições (Rm 8:26) de sua igreja que não consegue gerar frutos para vida eterna (Jo. 15:16) e fica impedido de ter “relacionamento íntimo” com ela (assim como José e Maria). Sobre esta revelação o Senhor Jesus disse: “Eu e o Pai somos um” (Jo. 10:30) e: “E rogo não somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim; para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste”.(Jo. 17:20, 21). Sem intimidade não se revela Cristo ao mundo!!!!
Por último e não menos importante: a adoção! Talvez este seja o único conceito que traz diversas interpretações. Isto porque alguns teólogos a posicionam como um fator não distinto, mas como se fosse a junção das outras três doutrinas, ou seja, ao estarmos justificados, regenerados e andando em santificação, então Deus nos posiciona como filhos herdeiros (adoção).
Não queremos abrir outro entendimento, nem discutir teologia aqui, mas contribuir para chegarmos a intimidade com Deus. Creio que ao alcançarmos a justificação, passarmos pelo doloroso processo da regeneração e andarmos em santificação já estamos na posição de filhos por adoção. O que queremos diferenciar aqui é o que nos traz esta posição?
Em João 1:12 e Gl. 4: 1-7, estão se falando de dois tipos de “filhos” herdeiros. Ambos são legitimamente herdeiros, mas um é Teknon (Jo. 1:12 - menino de colo) e outro e Huios (Gl 4: 7 - filho amadurecido). Somente o filho amadurecido recebe responsabilidade do Pai. O Pai concede que ele governe no Reino junto com Cristo. E aí está a necessidade de termos intimidade com Deus. Como filhos amadurecidos para cuidarmos dos interesses do Reino e assim podermos determinar nossa posição eterna para com Deus: Se somos teknon ou Huios! Com efeito, nossa posição de filhos amadurecidos, nos levará a um elevado relacionamento com o Pai a fim de exercitarmos nossas responsabilidades para com o Seu Reino “e porque sois filhos, Deus enviou o Espírito de Seu Filho...” (Gl. 4:6). O filho amadurecido conhece a sua tarefa e a cumpre com zelo e amor. Já não vive mais tropeçando e caindo, esbarrando nas lutas com sua própria carne, mas já está apto para guerras espirituais (Ef. 6: 10-18). Aqui se encontram os motivos pelos quais Deus nos chamou, salvou, aperfeiçoou e nos enviou a uma grande comissão. Com estes filhos amadurecidos, Deus não só permite a intimidade, mas quer efetuá-la em nós através do seu Santo Espírito (Fl. 2:12-15).
Finalmente, as Escrituras nos revelam os “agentes” da justificação, regeneração, santificação e adoção (Tt. 3: 4-5), trata-se do Espírito Santo de Deus e a Sua Palavra. Esta é a água que nos purifica e justifica. O Espírito aquele que através da mesma Palavra nos regenera e nos santifica (Jo. 17:17). Um depende do outro. Um não atua sem a presença do outro!

Meu irmão procure ter mais tempo com os “agentes” de Deus. De preferência no “silêncio”, deixando a alma (carne) de fora! A única coisa que pode agradar a Deus em nossa “carne” é o cheiro suave, que sobe dela, queimando em fogo (Mt. 3:11)! Medite na Palavra, busque a presença consoladora do Espírito Santo e assuma sua posição no Reino de Deus. A intimidade com o Pai passará a ser uma constante em tua vida. Que o Senhor lhe edifique neste estudo!

ALIMENTO É PARA ESPIRITUAIS

“Sempre dou graças a Deus por vós, pela graça de Deus que vos foi dada em Cristo Jesus; porque em tudo fostes enriquecidos nele, em toda palavra e em todo o conhecimento, assim como o testemunho de Cristo foi confirmado entre vós; de maneira que nenhum dom vos falta, enquanto aguardais a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual também vos confirmará até o fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo”. 1 Cor. 1:4-7. (grifo nosso).
“E eu, irmãos não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a criancinhas em Cristo. Leite vos dei por alimento, e não comida sólida, porque não a podíeis suportar; nem ainda agora podeis; porquanto ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja e contendas, não sois porventura carnais, e não estais andando segundo os homens? 1 Cor. 3:1-3. (grifo nosso).
Segundo a palavra “nele” no primeiro verso acima fica entendido que ela tem seu cumprimento “em Cristo”, onde habita todo o conhecimento e sabedoria da divindade (Col. 2:9), portanto Paulo está declarando que, pelo fato da igreja ter recebido a Cristo em seus corações, lhes deu a condição de possuírem toda a riqueza da glória de Cristo (Rm. 9:23-24), e confirma esta verdade no cap 3 nos versos 10 a 11.
E ainda, o que vemos aqui também, é a preocupação do Apóstolo Paulo em dar a igreja de Corinto um mantimento que traga crescimento e fortalecimento espiritual, algo que transcenda o conhecimento das coisas deste mundo, algo que se apóie em conhecimento das coisas espirituais e não terrenas; uma mensagem que traga coisas espirituais à igreja e não terrenas! (2 Cor. 4:18); no entanto, se vê impedido devido a uma deformidade na vida espiritual da igreja. Ele a chama igreja de crentes “carnais”. Ora, se a igreja foi enriquecida em toda palavra e em todo conhecimento a cerca da verdade, como também lhe fora distribuídos todos os dons espirituais, para que o corpo fosse edificado, como entender que os crentes de Corinto não puderam receber um alimento sólido? Um alimento que traria uma visão maior acerca do Reino eterno de Deus!
Entendemos que o impedimento que Paulo quer nos dizer para lhes dar uma comida sólida em 1 Cor. 3 é acerca de procedimentos ainda da vontade humana sujeita a um espírito do mundo (Carnal). O que é guiado pelo Espírito diz-se “espiritual”, e o que é guiado pelo impulso da vontade humana diz-se “carnal” (1 Cor. 2:12-15), e ele diz que isto é andar segundo os homens. A que homens ele está se referindo?
 Mais à frente no cap. 3 nos vs. 4 a 9 ele define estes homens. Na verdade ele se refere a si próprio e também a outros líderes da igreja (como Apolo e Pedro). Não que eles, os líderes, estivessem disputando a liderança, mas a igreja os disputava a cerca dela, e o fato da igreja se dividir a cerca destes homens os tornava uma igreja mundana (1 Cor. 2:12). O que estava acontecendo eram divisões acerca de quem ministraria. Invejas acerca de quem têm o maior número de dons ou atua com mais manifestações pelo uso poder do Espírito.
 Mas Paulo deixa claro que eles (os ministros) não são nada (vs. 7), pois eles não podem trazer o crescimento, apenas conforme a medida da graça que cada um recebeu de Deus, eles contribuíram para que o próprio Senhor viesse a dar o crescimento na vida de cada um na igreja. O espírito do mundo traz para dentro da igreja uma glória do mundo, pois ela se baseia no sistema do mundo, onde existem concorrências entre os que ministram. Cargos e patentes estão sendo disputados a fim de obterem maior poder e autoridade entre os homens.  A igreja copiou o sistema de hierarquia do mundo. No mundo há funcionário, subchefe, chefe, gerente, diretores... na igreja deram os ministérios em hierarquias: há zeladores, diáconos, levitas, presbíteros, pastores e apóstolos! Como se pastores estivessem acima dos presbíteros e abaixo dos apóstolos. O próprio Senhor Jesus nos advertiu sobre isto quando Tiago e João, filhos de Zebedeu, dispituvam uma posição maior no Reino de Deus e Jesus disse:
“Então Jesus chamou-os para junto de si e lhes disse: Sabeis que os que são reconhecidos como governadores dos gentios, deles se assenhoreiam, e que sobre eles os seus grandes exercem autoridade. Mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. Pois também o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos”. (Mc. 10:42-45; Lc. 9:46-48; 22:24-30).
Hoje a igreja continua se dividindo da mesma maneira. Se eu ministro há quem só quer ouvir o que eu falo, ou ainda pior, se só eu ministro eu impeço a igreja a não ouvir outros, e ainda o mais terrível, eu escolho quem pode e quem não pode ministrar, pois os outros podem trazer confusão naquilo que eu ensino, e nisto também estou errando (Mc. 9:38-41)! Mas o que palavra nos diz acerca destas coisas, afinal há muitos falsos profetas e falsos mestres entre nós? (2 Cor. 11:10-15; 2 Pe. 2:1; 1 Jo. 4:1; Jd. 4-12).
“Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei eu como sábio construtor, o fundamento, e OUTRO edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1 Cor. 3:10-11). Não há impedimento acerca de quem ministra e para quem se ministra. Paulo simplesmente traz a responsabilidade para quem ministra, pois o que for verdadeiro (ensino puro) crescerá, pois o próprio Deus é quem dá o crescimento como também o próprio Espírito de Deus é quem nos guia a toda a verdade (Jo. 16:13, 1 Jo. 2: 20-21, 27).
Mas como saber se o que tenho ouvido é a pura palavra do Senhor?
No livro de Atos dos Apóstolos havia um grupo de pessoas pertencentes a uma cidade chamada Beréia a qual foi citada devido a um cuidado especial que tomavam acerca daquilo que ouviam:
“E logo, de noite, os irmãos enviaram Paulo e Silas para Beréia; tendo eles ali chegado, foram à sinagoga dos judeus. Ora, estes eram mais nobres do que os de Tessalônica, porque receberam a palavra com toda avidez, examinando diariamente as Escrituras para ver se estas coisas eram assim. De sorte que muitos deles creram, bem como bom número de mulheres gregas de alta posição e não poucos homens”. (At. 17:10-12). Parece que até a cultura humana influencia no cuidado das coisas espirituais, “como pessoas mais nobres (ávidas, insaciáveis) e pessoas de alta posição (social)!” A Palavra de Deus nos instrui a consultarmos as Escrituras (estudarmos) diariamente a respeito de tudo que ouvimos e somos ensinados. Quem não tem este cuidado fica refém de homens gananciosos com espírito do mundo e do anticristo!
“E, se alguém sobre este fundamento levanta um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; pois aquele dia a demonstrará, porque será revelada no fogo, e o fogo provará qual seja a obra de cada um” (1 Cor. 3:12-13). Nós saberemos no dia calamidade, ou na provação pelo fogo, pois então conheceremos se aquilo que foi edificado em nossas vidas foi edificado com alimento sólido (ouro, prata e pedras preciosas) ou com leite (madeira, feno e palha), pois o fogo provará!
Mas há uma advertência para quem ministra a palavra de Deus. Paulo diz que nós ministros estamos edificando a casa de Deus, pois a igreja que somos nós, é também o santuário de Deus (1 Cor. 3:16); e se nós, ministros da Palavra, edificarmos uma igreja que venha ser destruída pelo fogo (2 Cr. 1:6; 4:8; 7:5; 2 Ts. 1: 6-7; Pe. 1:7) por deixamos de dar o alimento sólido então o Senhor nos destruirá! ( 1 Cor. 3:17). Então Paulo nos deixa um sábio conselho para aquele que ensina: Não busquemos a sabedoria segundo os padrões deste mundo ou desta era, pois ela é fútil (1 Cor. 3:20), nem tão pouco nos deixemos ser envolvidos pela glória deste mundo nem a dos homens, pois não há glória humana que não venha ser aniquilada no dia do Senhor. Isto fala de aceitarmos as predileções da igreja como forma de acalentarmos glória ao nosso ego!
Nossa responsabilidade é a de trazer um alimento sólido, porém se temos uma igreja criança devido a falta de entendimento quanto a quem pode ministrar, então somente nos resta o caminho da advertência devida aos crentes carnais, e dizer-lhes: Não podemos lhes dar um alimento sólido devido a falta de entendimento a cerca das coisas mais simples do evangelho! Temos que voltar com esta igreja aos princípios da Palavra de Cristo que nos ensina que maior é aquele que serve; e aquele que quiser ser o primeiro será o que sirva!
Mas como reconhecer a diferença entre um alimento “leite” e um alimento “sólido”? E porque as Escrituras citam dois tipos de alimento? (Hb. 5:11-14).
“No livro de Hebreus há um discernimento acerca destas coisas, pois todo o livro trata da pessoa de Cristo, Sua Supremacia, Seu Sacerdócio, Sua Suficiência. Apresenta Cristo como plena e definitiva revelação de Deus, ultrapassando em muito a revelação preliminar e limitada do AT. As profecias e as promessas do AT são cumpridas na “nova aliança” da qual Cristo é o mediador. O livro de Hebreus poderia ser chamado “o livro das coisas mais excelentes” visto que as duas palavras gregas traduzidas por “melhor” e “superior” ocorrem 15 vezes na carta”. (Comentário bíblico Introdução. NVI)
Posso crer que alimento sólido  fala do conhecimento acerca da própria pessoa de Jesus (Rm. 1:28; 15:14; 1 Cor. 15:34; 2 Cor. 2:14; 2 Cor. 4:6; 2 Cro. 10:4-5; Ef. 1:17; 4:13; Fil. 1:9; 3:8; Col. 1:9-10; 2:2; 3:10; 1 Tm. 2:4; 2 Tm. 3:7; Tt. 1:1; Fil. 1:6; Hb. 10:26; 2 Pe. 1:2-3, 8; 2 Pe. 2:20; 2 Pe. 3:18; 1 Jo. 2:20, 27), evidenciada por toda a Escritura e desconhecida por grande parte da igreja. Sabemos tudo a cerca do que Deus pode “fazer” mas nada sobre o que Ele requer de nós como Deus que ELE É, pois não o conhecemos verdadeiramente!
Quando a igreja se voltar para a verdadeira adoração a Deus ela não terá mais que se preocupar com as coisas deste século (Mt. 6:33), nem se afligir por coisas terrenas, mas sim pelas espirituais que são eternas. O alimento sólido é o único alimento que pode combater uma enfermidade espiritual que vem no fim dos tempos: A APOSTASIA DA IGREJA! Na verdade, esta enfermidade já está entre nós!

Amados, não se deixem enganar, Deus não tem o culpado por inocente, ele trará sua manifestação de Justiça sobre toda a terra e somente um Reino que não pode ser abalado (Hb. 12:27-29) poderá permanecer face a Sua manifestação de indignação e ira (Naum 1:2-10), e este Reino está sendo edificado sobre os fundamentos dos Apóstolos e dos profetas (Ef. 2:20-22), fala-se de uma Palavra sólida para preparar a igreja do Senhor para o Dia do Senhor que está chegando. Busquem conhecer ao Senhor! 

EDIFICANDO A MORADA DO ESPIRITO - PARTE II

“Assim, pois, não sois mais estrangeiros, nem forasteiros, antes sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra da esquina; no qual todo o edifício bem ajustado cresce para templo santo no Senhor, no qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito.” Efésios 2:19-22.
Acredito que a função dos ministérios dados a nós pelo Espírito Santo é edificar a Morada de Deus. Você também pode chamá-la de a “Casa de Deus” conforme Hebreus 3:5-6, ou o “Tabernáculo de Deus” conforme 2 Cor. 5:1-2, Apocalipse 21:3 e ainda, “Santuário de Deus” conforme 1 Cor. 3:16; 6:19.
O que realmente importa é que neste corpo estamos sendo edificados para sermos revestidos de um corpo imortal, incorruptível que nos aguarda nos céus. O Ap. Paulo ainda nos diz que este corpo é como um vaso que contém a Glória de Deus (Rom. 9:20-24; 2 Tm. 2:20-21) e que se estiver purificado (santificação pelo Espírito) será para uso honroso. Ajudar o povo de Deus a buscar ser vaso para honra é uma das funções dos ministérios, como também unir estes vasos em só Corpo, num mesmo Espírito, num só Senhor, numa só fé, num só batismo, num só Deus e Pai conforme Efésios 4: 1-16.
Assim como no passado Deus apresentou um modelo para ser a sua habitação temporária (Ex. 25:8), e através de cada utensílio (peça) Ele ensinava, como que por figuras, o significado para nós que agora vivemos, que assim como há um santuário terrestre, há também um celestial, um corpo terrestre e um corpo celestial conforme 1 Cor. 15:40-49. Portanto, se queremos entender o conceito de que somos habitação temporária de Deus na terra, temos que entender o conceito das Escrituras antigas a cerca da habitação temporária de Deus conforme o modelo dado a Moisés.
Este estudo é parte da função dos ministérios. Pois se estes não levarem o Corpo de Cristo, que está na terra, a uma consciência daquilo que verdadeiramente somos, nos encontraremos nus mesmo estando vestidos! (2 Cor. 5:3). Vamos começar esta construção pelo entendimento do escritor aos Hebreus no capítulo 9:6-12:
“Ora, estando estas coisas assim preparadas, entram continuamente na primeira tenda os sacerdotes, celebrando os serviços sagrados; mas na segunda só o sumo sacerdote, uma vez por ano, não sem sangue, o qual ele oferece por si mesmo e pelos erros do povo; dando o Espírito Santo a entender com isso, que o caminho do santuário não está descoberto, enquanto subsiste a primeira tenda, que é uma parábola para o tempo presente, conforme a qual se oferecem tanto dons como sacrifícios que, quanto à consciência, não podem aperfeiçoar aquele que presta o culto; sendo somente, no tocante a comidas, e bebidas, e várias abluções, umas ordenanças da carne, impostas até um tempo de reforma”. “Mas Cristo, tendo vindo como sumo sacerdote dos bens já realizados (em carne, corpo mortal), por meio do maior e mais perfeito tabernáculo (não feito por mãos, isto é, não desta criação), e não pelo sangue de bodes e novilhos, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no santo lugar (corpo glorificado), havendo obtido uma eterna redenção”.
Este texto do novo testamento nos remete ao antigo, e como por figura, parábola, nos é apresentado um significado a cerca do tabernáculo terrestre e do celestial. O terrestre é limitado a várias ordenanças da carne, isto é, o prestar um culto conforme o modelo dado a Moisés, porém este culto sofre uma reforma e é desfeito o primeiro modelo, ou seja, a primeira tenda, quando Jesus por meio do Seu próprio sacrifício e sangue adentra um maior e mais perfeito tabernáculo. Seu novo corpo desfaz o modelo das antigas escrituras. Daí a grande preocupação que os Sacerdotes tinham em relação a Jesus no evangelho. Prestem atenção:
“Protestaram, pois, os judeus, perguntando-lhe: Que sinal de autoridade nos mostras, uma vez que fazes isto? Respondeu-lhes Jesus: Derribai este santuário, e em três dias o levantarei. Disseram, pois, os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário, e tu o levantarás em três dias? Mas ele falava do santuário do seu corpo.” (Jo. 2:18-21).
Esta preocupação na verdade os conduziu ao ódio, pois não entendiam e não aceitavam o que Jesus falava. Foi por causa desse ódio que foram  levados a seguinte idéia:
“Então os principais sacerdotes e os fariseus reuniram o sinédrio e diziam: Que faremos? porquanto este homem vem operando muitos sinais. Se o deixarmos assim, todos crerão nele, e virão os romanos, e nos tirarão tanto o nosso lugar como a nossa nação. Um deles, porém, chamado Caifás, que era sumo sacerdote naquele ano, disse-lhes: Vós nada sabeis, nem considerais que vos convém que morra um só homem pelo povo, e que não pereça a nação toda. Ora, isso não disse ele por si mesmo; mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus havia de morrer pela nação, e não somente pela nação, mas também para congregar num só corpo os filhos de Deus que estão dispersos. Desde aquele dia, pois, tomavam conselho para o matarem.” Aliás, quando não entendemos alguma coisa (da mente do Espírito) temos a tendência de odiar a mente que nos fala das coisa espirituais, só porque não a compreendemos! 1 Cor. 2:14.
Vejam também que o primeiro mártir da igreja (Estevão)  foi morto pelo mesmo ódio e motivo:
“Assim excitaram o povo, os anciãos, e os escribas; e investindo contra ele, o arrebataram e o levaram ao sinédrio; e apresentaram falsas testemunhas que diziam: Este homem não cessa de proferir palavras contra este santo lugar e contra a lei; porque nós o temos ouvido dizer que esse Jesus, o nazareno, há de destruir este lugar e mudar os costumes que Moisés nos transmitiu.” (Atos 6:12-14).
Se você é religioso poderá correr o mesmo risco ao se deparar com a verdade que a Escritura diz a cerca do que seja o Templo. E a partir de agora, buscaremos entender o significado da Tenda (Tabernáculo) do antigo testamento, e conduzir a nossa consciência ao conhecimento da verdade a cerca desse nosso tabernáculo terrestre (corpo), que nos foi dado temporariamente a fim de aprendermos, através deste, o significado daquele que esperamos!
O velho testamento nos foi dado como exemplo das coisas que são e hão de serem manifestas (Rom 15:4; 1 Cor. 10:11), mas se olharmos para ele apenas como livros históricos nada se nos aproveitará. Assim precisamos em primeiro lugar nos libertar das ficções e sofismas que nos foram passados ao longo destes anos e levar nossas consciências cativas ao Espírito de Cristo (2 Cor. 10:5), que aperfeiçoa nossos espíritos (mentes) (Hb. 12:22-24) a fim de nos conhecermos melhor e nos integrarmos com a verdade dEle.
Penso que se fossemos relacionar todos os detalhes que são descritos no livro do Êxodo a cerca da construção do Tabernáculo, esta vida não seria suficiente para terminar este estudo. Assim faremos um estudo simples, porém sem perder a essência daquilo que estamos edificando. Mesmo porque, os princípios que usaremos para esta edificação serão como “ferramentas em mãos do artífice”  (1 Cor. 3:10), que por si mesmo poderá continuar a edificar, porém não sem a Unção do Santo, pois sem Ela não se chega a perfeição! (1 Jo. 2:26-27).
O Tabernáculo foi construído para possuir três ambientes. O átrio ou Pátio (parte não coberta) com um altar para os sacrifícios, depois outra parte (coberta) chamada Lugar Santo e finalmente uma terceira parte (coberta) chamada Santo dos Santos ou Santíssimo lugar. O fato de se terem partes cobertas e não cobertas demonstra lugares que se podem se ver ou entrar. Por exemplo, no átrio temos o lugar dos sacrifícios visível a todo o povo; no Lugar Santo apenas os sacerdotes poderiam adentrar, e no Santíssimo somente o Sumo-sacerdote e apenas uma vez ao ano.  Agora vamos buscar o entendimento a cerca desta divisão em nós, se nos conhecermos como Tabernáculo de Deus na terra. Paulo nos ensina que  os nossos membros (Mãos, pés, língua, ouvidos, olhos, etc) servem agora como instrumentos de justiça e de adoração. Vejam:
“Falo como homem, por causa da fraqueza da vossa carne. Pois assim como apresentastes os vossos membros como servos da impureza e da iniqüidade para iniqüidade, assim apresentai agora os vossos membros como servos da justiça para santificação.” (Rm 6:19). “Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” (Rm 12:1).
Se com o culto dos bens (corpo expiatório) realizado no tabernáculo de Moisés se ofereciam holocaustos e sacrifícios é certo que com o culto dos bens (corpo) prestado neste tabernáculo também se façam as mesmas ofertas, porém é necessário que entendamos que estas não se fazem mais por meio de sacrifícios de animais, mas com o nosso próprio corpo e membros podemos oferecer a Deus sacrifícios de louvor. Portanto, o pátio nos remete ao corpo físico, pois este é visto e percebido por todos, e toda a adoração a Deus é manifestada através dele.
Depois adentramos a área que é coberta e que não pode ser vista pelo povo, mas somente por aqueles que tem autorização para estarem lá: o Lugar Santo. Isto no remete a um lugar em nós que somos feito e que as pessoas  não podem ver, mas sabem o que acontece lá: Nossa Alma e figurativamente conhecida por nosso “coração”.
Aqui teremos muito que falar e introduziremos esse assunto a partir dos utensílios dispostos neste ambiente com seus significados.
Temos que entender que assim como o tabernáculo de Moisés é a figura do tabernáculo/Corpo do Cristo (JESUS) e que todos os utensílios usados possuem sempre a ordem de serem ungidos e santificados, nós assim também estamos sendo edificados para sermos esse tabernáculo tanto nesta vida como na vindoura.
“Como podeis crer, vós que recebeis glória uns dos outros e não buscais a glória que vem do único Deus? Não penseis que eu vos hei de acusar perante o Pai. Há um que vos acusa, Moisés, em quem vós esperais. Pois se crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim ele escreveu. Mas, se não credes nos escritos, como crereis nas minhas palavras?” (Jo. 5:44-47).
Vejam o que está escrito no Livro do Êxodo:
“Depois disse o Senhor a Moisés: No primeiro mês, no primeiro dia do mês, levantarás o tabernáculo da tenda da revelação, e porás nele a arca do testemunho, e resguardaras a arca com o véu. Depois colocarás nele a mesa, e porás em ordem o que se deve pôr em ordem nela; também colocarás nele o candelabro, e acenderás as suas lâmpadas. E porás o altar de ouro para o incenso diante da arca do testemunho; então, pendurarás o reposteiro da porta do tabernáculo. E porás o altar do holocausto diante da porta do tabernáculo da tenda da revelação. E porás a pia entre a tenda da revelação e o altar, e nela deitarás água. Depois levantarás as cortinas do átrio ao redor, e pendurarás o reposteiro da porta do átrio. Então tomarás o óleo da unção e ungirás o tabernáculo, e tudo o que há nele; e o santificarás, a ele e a todos os seus móveis; e será santo. Ungirás também o altar do holocausto, e todos os seus utensílios, e santificarás o altar; e o altar será santíssimo. Então ungirás a pia e a sua base, e a santificarás.” (Ex. 40:1-11).
Amados, existem três utensílios no Lugar Santo: A Mesa da Preposição (ou da Presença), o Candelabro para iluminar e o Altar de ouro para o incenso.
Na mesa estavam permanentemente 12 pães que seriam trocados a cada 7 dias. O significado para eles era que cada pão representava uma das 12 tribos e o cuidado (provisão) de Deus para o povo que sobreviveu saindo do Egito e habitando no deserto. Além destes significados, encontramos muitos outros para nós hoje. Por exemplo, que fomos comprados por bom preço e não estamos mais debaixo da escravidão do pecado, portanto não recebemos mais o cuidado daquele nos escravizava, mas recebemos provisão dos Céus, dEste que agora nos supre em todas as coisas. (Fl. 4:19). Os pães também falam do corpo de 7 dias, pois Deus fez a criação em 7 dias mas descansou no 7º para nos prover um novo corpo em eternidade. Mas quero ressaltar um significado ainda maior. Se aquele tabernáculo representa Cristo, ouça:
“Perguntaram-lhe, então: Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos e te creiamos? Que operas tu?  Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Do céu deu-lhes pão a comer. Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Não foi Moisés que vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu. Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão. Declarou-lhes Jesus. Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim, de modo algum terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede. Mas como já vos disse, vós me tendes visto, e contudo não credes.” (Jo. 6:30-36). “o pão nosso de cada dia nos dá hoje;” (Mt. 6:11).
Isto significa que em nosso interior deve haver Pão do Céu. Talvez agora muitos possam entender porquê, mesmo sendo consagrado a Deus os pães da preposição, não impediram Davi e seus companheiros quando estavam famintos de entrar no templo e saciar a sua fome com eles! (1 Sm 21:4-6; Mateus 12:3-4; Sl. 132:13-16). Hoje, só existe um alimento para nossa alma: A PALAVRA de DEUS. Ela é o pão que nos é dado diariamente, sem medida, e que deve ser renovada em nós periodicamente.
O Candelabro nos reserva inúmeros significados. Apenas alguns serão vistos aqui. Diz que a função dele era iluminar o que estava a sua frente. Conforme a descrição que segue em Ex. 40:17-33:
“...Pôs também na tenda da revelação o candelabro defronte da mesa, ao lado do tabernáculo para o sul, e acendeu as lâmpadas perante o Senhor, como o Senhor lhe ordenara.” (vs 24, 25). Este Candelabro nos remete aos sete candelabros de Apocalipse 1:20, indicando assim que a função deles é revelar (iluminar) o Pão que desceu do Céu. O Candelabro foi feito de vários componentes. Em ouro fundido significando igrejas forjadas na prova do fogo (1 Pe 1:6-7; 2 Ts 1:3-12), em uma só peça, falando assim de unidade e semelhança entre elas, e possuindo lâmpadas que deveriam ser alimentadas por combustível vegetal (azeite), o mesmo utilizado para ungir os utensílios do tabernáculo. De forma que as sete igrejas do Apocalipse não são denominações ou religiões mas igrejas (pessoas) que estão sendo edificadas a partir do fundamento Cristo conforme 1 Cor. 3:10-11. O Candelabro servia a Luz para o ambiente por 24 horas, sendo que nas doze horas do dia apenas uma lâmpada central era mantida acesa enquanto que nas doze horas da noite todas deveriam permanecer acesas. Isto significa que “luz” na “Luz” somente a Luz que precisa, enquanto que Luz nas trevas todas as lâmpadas devem estar funcionando.
Mas queremos ressaltar uma função ainda maior do que tudo isto que vimos: O AZEITE.
Segundo a Lei ele deveria ser trazido pelo próprio povo. Seguia-se o costume de colherem as azeitonas e levarem para casa e com auxilio de um pilão baterem as azeitonas e depois depositarem, em um saco pendurado, a massa moída, para que aos poucos o óleo fosse sendo extraído e separado da massa. Este óleo era usado para compor o óleo da unção e para combustível das lâmpadas do Candelabro. (Ex. 27:20; 30:22-33; Lv. 24:2). Ora o significado disso tudo é um só. O Óleo para unção como o combustível para iluminar o tabernáculo nos fala do Espírito Santo de Deus.
Em Mateus 25 vemos Jesus trazer uma parábola a cerca das 10 noivas (virgens) que tinham uma lâmpada cada. O texto gira em torno das que possuem azeite e das que não o tem em abundância. Exatamente a falta de azeite revela uma igreja com pouca ou sem LUZ. Uma igreja sem Luz não pode mostrar o NOIVO nem tão pouco revelá-lo. É por isso que nesta parábola Jesus diz que o noivo responde a essas que não tinham do SEU azeite a seguinte frase: Não vos conheço.
Amados, a função do Espírito Santo é revelar-nos Jesus e fazer com que outros o vejam revelado em nós. Outra função é nos identificar como sendo pertencentes a Cristo. Trata-se de um selo, uma garantia, um penhor da nossa redenção. ( 2 Cor. 1:21-22; Ef. 1:13-14; 2 Tm 2:19). Mas se o Candelabro é aquilo que ilumina o suprimento é por meio dele que encontramos revelação na Palavra de Deus. Ele conduz nossas almas para Cristo o tempo todo, nos fornecendo Lâmpada para nossos pés e Luz para os nossos caminhos (Sl. 119:105). Na seqüência veremos o altar do incenso e sua função e significado. Ouçam:
“E porás o altar diante do véu que está junto à arca do testemunho, diante do propiciatório, que se acha sobre o testemunho, onde eu virei a ti. E Arão queimará sobre ele o incenso das especiarias; cada manhã, quando puser em ordem as lâmpadas, o queimará.” (Ex. 30:6-7). Este incenso era feito segundo várias especiarias e produzia, quando queimado, uma fumaça aromática como um cheiro suave. O Ap. Paulo diz que em nós se encontra o bom perfume de Cristo:
“Graças, porém, a Deus que em Cristo sempre nos conduz em triunfo, e por meio de nós difunde em todo lugar o cheiro do seu conhecimento; porque para Deus somos um aroma de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem. Para uns, na verdade, cheiro de morte para morte; mas para outros, cheiro de vida para vida. E para estas coisas quem é idôneo? Porque nós não somos falsificadores da palavra de Deus, como tantos outros; mas é com sinceridade, é da parte de Deus e na presença do próprio Deus que, em Cristo, falamos.” (2 Cor. 2:14-17).
Por último e mais importante o Santo dos Santos. Este ambiente era separado dos demais por um véu. Como que se aquilo que estivesse dentro fosse inacessível ao homem comum. Nele estava uma arca: “Também farão uma arca de madeira ,de acácia; o seu comprimento será de dois côvados e meio, e a sua largura de um côvado e meio, e de um côvado e meio a sua altura. E cobri-la-ás de ouro puro, por dentro e por fora a cobrirás; e farás sobre ela uma moldura de ouro ao redor; e fundirás para ela quatro argolas de ouro, que porás nos quatro cantos dela; duas argolas de um lado e duas do outro. Também farás varais de madeira de acácia, que cobrirás de ouro. Meterás os varais nas argolas, aos lados da arca, para se levar por eles a arca. Os varais permanecerão nas argolas da arca; não serão tirados dela. E porás na arca o testemunho, que eu te darei. Igualmente farás um propiciatório, de ouro puro; o seu comprimento será de dois côvados e meio, e a sua largura de um côvado e meio. Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório. Farás um querubim numa extremidade e o outro querubim na outra extremidade; de uma só peça com o propiciatório fareis os querubins nas duas extremidades dele. Os querubins estenderão as suas asas por cima do propiciatório, cobrindo-o com as asas, tendo as faces voltadas um para o outro; as faces dos querubins estarão voltadas para o propiciatório. E porás o propiciatório em cima da arca; e dentro da arca porás o testemunho que eu te darei. E ali virei a ti, e de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do testemunho, falarei contigo a respeito de tudo o que eu te ordenar no tocante aos filhos de Israel.(Ex. 25:10-22).
A partir de agora, só veremos a Jesus no Santos dos Santos. Dentro da Arca estava contido: Um pote com uma porção do Maná, uma vara que floresceu na mão de Arão e as tábuas de pedra com os dez mandamentos. A simbologia destes três elementos fala o tempo todo de Jesus. Ele é o mandamento de Deus, a provisão de Deus e o ramo que mesmo cortado da terra reviveu. “Dentro da Arca” fala daquilo que esta oculto aos olhos dos homens mas que agora rasgando-se o véu que nos separava de vê-lo podemos ter livre acesso a Ele e o adorar em espírito e em verdade. Outras revelações podem ser tiradas destas figuras, mas a que mais me impressiona é a de ver Deus se manifestar e falar sobre a ARCA entre os Querubins:
“E ali virei a ti, e de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do testemunho, falarei contigo a respeito de tudo o que eu te ordenar no tocante aos filhos de Israel”.(Ex. 25:22). Esta parte é tremenda pois das coisas que faltam ser comparadas a nós aqui é o espírito do homem (sua mente). Vimos o átrio como Corpo, o Lugar Santo como a Alma e agora o espírito como o Santo dos Santos. Isto determina uma verdade: Deus não se manifesta no Lugar Santo, só no Santíssimo e fala de cima do Propiciatório que cobre a ARCA do Concerto, ou seja, nunca você ouvirá a Deus em seus membros (ouvidos), nem mesmo em seu coração (não se pode confiar nele conforme Jeremias 17:9), mas somente em seu espírito (mente). Ele falará contigo e tudo quanto Ele te disser o Filho te revelará. Ouçam:
”Naquele tempo falou Jesus, dizendo: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado. Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece plenamente o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece plenamente o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. (Mt. 11:25-27).
Nós não podemos dizer que este estudo termina aqui, pois isto reduziria a nada a obra tão maravilhosa descrita nas Escrituras. Mas assim como a nós nos foi dado o conhecer de Deus, assim transmitimos com verdade e não com engano uma revelação simples do que propomos aqui:
EDIFICAR A IGREJA DO SENHOR NA TERRA, A QUAL AS PORTAS DO INFERNO NÃO PODERÃO JAMAIS PREVALECER CONTRA ELA.
Esta é a nossa função Amados, como bons despenseiros (1 Cor. 4:1-2) da Graça de Cristo formar em cada indivíduo na terra uma igreja ou Templo. Meditem nas igrejas do Apocalipse e vejam como está a que foi edificada em você. Com qual delas você se parece? Que o Espírito Santo de Deus, o qual é a unção da qual precisamos para nos guiar em toda a verdade seja seu combustível na Luz do Evangelho que resplandece em tua vida. Deus te abençoe.

EDIFICANDO A MORADA DO ESPIRITO - PARTE I

Edificando a Morada do Espírito
(texto base Hb. 3:1-19)

                             “O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus;” Rm. 8:16.
Amados, tenho sido perturbado em meu espírito por alguns conflitos a respeito das coisas de Deus. Vejo que nós, como igreja, só perdemos quando nos dividimos a respeito de questões a cerca das coisas do espírito humano.
Para alguns é fato de que em nosso espírito habita o Espírito de Deus, portanto a casa de Deus está em nosso espírito. Ele nos vivificou nos santificou em nosso espírito para que ali colocasse eternamente o Seu Santo Espírito. É muito importante que compreendamos isto porque temos sido impulsionados a pensar que Deus possa habitar em construções feitas por mãos humanas , como templos ou lugares terrenos, e isto não é verdade. (At.7:48; 1 Cor. 3;16; 6:19; 2 Cor. 6:16).
A cerca destas coisas, Paulo teve muito trabalho para ensinar aos gregos de Corinto a cerca do que é a habitação de Deus (Ef. 2:20-22). Eles vinham de cultos pagãos. Havia na cidade cerca de 12 templos. Um dos mais infames era dedicado a Afrodite, deusa do amor, cujos adoradores praticavam a prostituição religiosa. Uns 400 metros ao norte ficava o templo de Asclépio , o deus da cura, e no meio da cidade estava localizado o templo de Apolo, deus da música. Em termos de adoração e templos os Corintios eram bem instruídos, e hoje em dia vemos os mesmos deuses operando.
Porém nós como habitação de Deus, somos também corpo de Cristo, e se Cristo é a plenitude de Deus, e Deus em nós habita, temos a plenitude de Deus em nós (Cl. 2:9). Está escrito em Ef. 1:3 que toda sorte de bênçãos estão em regiões celestes; e em 2:4-6, que Deus nos fez assentar com Cristo nestas mesmas regiões celestes e desfrutarmos destas bênçãos porque elas estão em Cristo. Você pode assim dizer: O Céus dos céus estão em Cristo e eu tenho Cristo, portanto toda a glória de Deus está em mim (Rm. 9:21-24), somos vasos de barro que possuem a plenitude da glória e das riquezas de  Deus (v. 24). Portanto todo conhecimento, toda a sabedoria, toda a ciência,  todos os dons e ministérios, enfim, toda a plenitude de Cristo está em nós! Oh glória! (Col. 2:8-10)
Mas como “ativar” tudo isto em mim? Afinal está em mim mas eu não vejo, não ouço nem sinto nada! É... bem profetizou Isaías: “Disse, pois, ele: Vai, e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis. Engorda o coração deste povo, e endurece-lhe os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; para que ele não veja com os olhos, e ouça com os ouvidos, e entenda com o coração, e se converta, e seja sarado.” É no espírito que tudo acontece e não na alma!
Se olharmos para o primeiro templo de Deus na terra, veremos uma tenda no meio do deserto com várias imagens e utensílios e rituais envolvendo o culto a Deus (Ex 25-40). Mas são quinze capítulos para eu ler? Sim meus amados, gastem tempo com a Palavra de Deus, pois dela provém as fontes de vida!  (Mt. 22:29; Jo. 5:39; 20:9) No cap. 40:34 de Êxodo está escrito:
“Então a nuvem cobriu a tenda da revelação, e a glória do Senhor encheu o tabernáculo; de maneira que Moisés não podia entrar na tenda da revelação, porquanto a nuvem repousava sobre ela, e a glória do Senhor enchia o tabernáculo”.
Amados, esta é a prova textual que onde existir um templo que pertence a Deus Ele o enche com Sua glória! Se você é o templo, habitação, morada de Deus, toda a glória dEle está dentro de você!
“Porque toda casa é edificada por alguém, mas quem edificou todas as coisas é Deus. Moisés, na verdade, foi fiel em toda a casa de Deus, como servo, para testemunho das coisas que se haviam de anunciar; mas Cristo o é como Filho sobre a casa de Deus; a qual casa somos nós, se tão-somente conservarmos firmes até o fim a nossa confiança e a glória da esperança. (Hb 3:6)
No livro aos Hebreus há toda riqueza de sabedoria acerca deste lugar de oferta de sacrifícios, onde Cristo penetrou e ofereceu Seu sangue para purificar o Santuário. Ora meus amados, no Céus dos céus onde Deus estava aguardando o sangue de Cristo para purificar todas as coisas (Hb. 9:22) não poderia haver impureza, ou então Deus estaria até então vivendo em lugar impuro até o sacrifício perfeito? É claro que não, mas Ele predestinou (Ef. 1:4-12) fazer em nós a sua habitação e para isto teve que aguardar o sangue purificador do Filho para poder purificar o Santuário no qual Ele estabeleceu para ser Sua eterna morada. (Ez. 36:24-27:37:26-28; Zac. 8:8; Ap. 21:3).
Tudo o que foi escrito no velho testamento foi  para exemplo a fim de conhecermos as coisas espirituais (1 Cor. 10:5-6).
Agora vamos edificar sobre o fundamento dos Apóstolos.
Deus é espírito e tudo que de nós quer se relacionar em verdade e agradar a Ele provém do nosso espírito, não da nossa alma, amém? Em Romanos 8 no vs 7 diz: “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser;”. Ora o que o Apóstolos quis dizer: “nem em verdade o pode ser”? Significa a limitação da carne em sujeitar-se a Lei de Deus, visto que, mesmo conhecendo a verdade nossa carne não se sujeita Lei do Senhor :
“Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado. Pois o que faço, não o entendo; porque o que quero, isso não pratico; mas o que aborreço, isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Agora, porém, não sou mais eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim.(Rm. 7:14-20)
Portanto não estamos ouvindo Paulo falar apenas de inclinações imorais da carne, mas também das inclinações de justiça que ela tenta produzir. Então ele conclui no vs. 8 “e os que estão na carne não podem agradar a Deus”. Se o meu louvor, ou a minha oração ou a minha adoração estiver sendo produzida na minha carne isto não pode agradar Deus!(Jo. 4:23-24). Se não for o nosso espírito que ora então não tem oração que agrade ao Senhor, amém? (Rm. 8:26-27).
 Paulo nos está ensinando que quando oramos com nossa alma, nosso entendimento ou emoções, não sabemos orar como convém, daí a necessidade do Espírito Santo interceder por nós em nossas orações.
Quando ainda somos crianças no entendimento a cerca das coisas espirituais (1 Cor. 3:1-3) somos comparados aos bebês que não tem fala e alguém intercede por ele para que satisfaça os seus anseios, necessidade, a aliviar suas dores. Como uma mãe que reconhece o choro do seu filho bebê e sabe quando é choro de fome, ou de dor, ou sono, assim o Espírito Santo intercede por nós em nossas fraquezas enquanto usamos linguagem humana!
Mas Paulo quer falar a espirituais, não a carnais que são bebês no entendimento! Por isso ele tem que vir com leite e não pode ainda dar alimento para adultos no entendimento (Hb. 5:12-14). Toda sua exposição na primeira carta aos Coríntios sobre dons espirituais não poderia ser feita se antes não houvesse o fundamento Cristo e Seu corpo na terra. Daí importância de sermos cônscios quanto a nossa posição no corpo de Cristo, quanto a honra, quanto a ministérios, quanto a unidade! (1 Cor. 12:1-31).
 Agora quanto a edificação pessoal ele nos ensina sobre o falar em línguas. Em Atos dos apóstolos no cap. 2 vemos o mover de sinais. Deus distribuiu línguas estrangeiras (idiomas) conforme o Espírito concedia que falassem. Ali não estavam falando a Deus, mas falando das grandezas de Deus aos homens, ou seja uma linguagem conhecida segunda cada nação para ouvirem do evangelho. Depois de tocados por esta mensagem e aberto seus corações Pedro pôde levantar-se e pregar em seu próprio idioma local e converter mais de 3.000 almas. (Atos. 2:1-41).
Mas para edificação pessoal Paulo diz que aquele que ora o faz a Deus (1 Cor. 14:2) e não fala de coisas conhecidas (grandezas de Deus Atos 2:11) mas fala em mistérios, ou seja, algo não conhecido ou não compreendido por homem nenhum. Portanto em 1 Corintios 14:2 não são os sinais para os incrédulos, mas edificações para nossas próprias vidas. Mas em 1 Cor. 14:21-22 Paulo cita o texto de Isaias 28 para explicar o que ocorreu em Atos 2:4-12. Ou seja, Deus usou a linguagem assíria para falar ao seu próprio povo:
“Ora, a quem ensinará ele o conhecimento? e a quem fará entender a mensagem? aos desmamados, e aos arrancados dos seios? Pois é preceito sobre preceito, preceito sobre preceito; regra sobre regra, regra sobre regra; um pouco aqui, um pouco ali. Na verdade por lábios estranhos e por outra língua falará a este povo; ao qual disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; mas não quiseram ouvir.” O que significa que Deus estabelece linguagem humana para falar ao povo mas assim mesmo o povo não quer ouvir.
Em Atos 2 vemos novamente Deus estabelecendo linguagem humana para anunciar Suas grandezas, mas agora encontrando corações prontos ao arrependimento. Paulo então ensina que os sinais em línguas estrangeiras são para os incrédulos, porém as línguas incompreensíveis do v. 2 não é para incrédulos mas para crentes que falam a Deus. E se estas línguas incompreensíveis forem anunciadas no meio da igreja que sejam feitas com interpretações.
Mas o que ora em línguas ininteligíveis ora com entendimento? Não!
“Porque o que fala em língua não fala aos homens, mas a Deus; pois ninguém o entende; porque em espírito fala mistérios.”
Se o  falar em línguas de 1 Cor 14 é o mesmo de Atos 2 como explicar:
“Como é, pois, que os ouvimos falar cada um na própria língua em que nascemos? Nós, partos, medos, e elamitas; e os que habitamos a Mesopotâmia, a Judéia e a Capadócia, o Ponto e a Ásia, a Frígia e a Panfília, o Egito e as partes da Líbia próximas a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes-ouvímo-los em nossas línguas, falar das grandezas de Deus”.
A Palavra de Deus não pode se contradizer, por isso existem duas linguagens. Uma compreensível (idioma) dada por Deus a nós em momentos que Ele determina, capacita ou concede  (Atos. 2:4) e outra ininteligível (língua dos anjos, língua de espírito) 1 Cor. 13:1 que eu uso, ou seja, não dependo de Deus para usá-la, pois ela já me foi dada, quando recebi o Espírito Santo ao ouvir e crêr no evangelho (Mt. 3:11; Ef. 1:13), então oro a Deus para edificação própria ou da igreja se houver quem interprete. Não poderia ser linguagem idioma para a igreja pois daí não precisaria de Deus para interpretá-las, visto que a interpretação também é um dom espiritual, mas traríamos um poliglota incrédulo e ele faria todas as traduções!
O tema deste estudo é: Edificando a morada do Espírito. Agora que entendemos que somos a morada de Deus e que o dom de línguas para orarmos a Deus fala de edificação pessoal vamos nos concentrar no que se refere a palavra edificação.
[Do lat. aedificare.]
V. t. d.
 1.  Construir; levantar: edificar uma casa, um templo; edificar uma nova cidade. 
 2.  Fundar, instituir, criar: edificar uma doutrina. 
 3.  Induzir à virtude; infundir sentimentos religiosos em: Procurava, com prédicas diárias, edificar os fiéis;  "o misticismo truculento da raça espanhola a torturar a carne para edificar o espírito"  (Antero de Figueiredo, Jornadas em Portugal, p. 267). 
V. int.
 4.  Infundir sentimentos morais e religiosos: Aconselhava leituras que edificassem. 
V. p.
 5.  Receber impressões edificantes: Edificou-se com jejuns e abstinências.  [Conjug.: v. trancar.] .
Tudo o que em nossa literatura pode nos ajudar o que mais se aproxima da intenção do Espírito sobre edificar seria: “receber impressões edificantes”.
Nossa alma tem o controle do conhecimento humano. O Espírito tem o controle do conhecimento divino (1 Cor. 2:10-16). Nossa alma recebe por meio dos sentidos (audição, olfato,tato, paladar e visão) os conhecimentos terrenos, ou seja, deste mundo. Mas em nosso espírito nos é revelado o conhecimento divino, ou seja, em nosso espírito nos é transmitido o conhecimento de Deus.
Às vezes a minha mente não consegue absorver aquilo que em meu espírito foi “impresso”, isto se deve ao fato de que a minha mente não pode compreender as coisas do Espírito “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, enquanto ele por ninguém é discernido.” (1 Cor. 2:14)
Paulo não pode falar aos Corintios como a espirituais, mas teve que falar como a carnais. Portanto tudo que Paulo escreve aos Corintios é a homens que são governados por mentalidades carnais e que haviam recebido dons espirituais, ou seja, uma Ferrari para uma criança! Agora ele tem que voltar aos fundamentos do evangelho para explicar a eles o que eles haviam recebido da parte de Deus!
Se nós ainda não entendemos o que são as línguas ainda somos imaturos! Porque elas são para os perfeitos! (1 Cor. 2:6). Nós recebemos o espírito sabedoria e de revelação de Deus em nosso espírito (Ef. 1:16-17), mas esta transferência de conhecimento divino para nossa mente precisa acontecer, e isto só é possível quando submetemos nossa vida ao governo do Espírito e não da alma (carne) e o fazemos quando oramos no espírito!
“O que cremos determina a maneira como pensamos, somos e vivemos e como procedemos. Uma crença errada significa, em ultima análise, em uma vida deformada. Cada um pode determinar para si o crescimento espiritual ou a extinção da verdadeira fé em Cristo. Todo o avivamento começa em uma geração que se volta para a Palavra de Deus”! (Glênio Paranaguá- 1ª Igreja Batista de Londrina).
Alguns ainda manifestam as coisas do Espírito em suas vidas mas não com entendimento, daí os excessos em nossas reuniões! Por isso Paulo escreve aos Corintios. Tinham o dom mas não o compreendiam!
A Palavra diz que o que ora em línguas, ora a Deus, a fim de edificar a casa de Deus! Amados Deus quer edificar a morada dEle em nós. Se a tua casa espiritual tem “três cômodos” Ele que transformá-la em um Palácio espiritual com lugar para todas as bênçãos das regiões celestes dentro dele! Se não temos todas as benções celestiais é porque ainda não há lugar para elas!
Aquele que ora edifica a casa de Deus. Há muitos conhecimentos de Deus que estão prontos para nos serem revelados mas por falta de estrutura (edifício sem alicerce) Ele não pode nos dar, pois não poderemos suportar (João 16:13). Quem nos edifica os fundamentos de alicerce? Apóstolos e profetas! Quem é a pedra fundamental? Cristo! (1 Cor. 3:9-23; Ef. 2:20-22).
A bíblia diz que quem ora em línguas ora sem entendimento, então não é com os sentidos, mas sim no espírito que  ora, e meu espírito não precisa de minha voz para orar, pois Deus “ouve a voz do meu espírito” sem pronunciamos uma só palavra audível. (Mc. 2:6-8; Mt. 9:2-4). Então porque a necessidade de sair de dentro de mim palavras audíveis as quais eu não compreendo e Deus não necessita delas para “ouvir a minha oração no espírito?
Paulo diz, que enquanto eu oro no espírito a minha mente fica infrutífera!(1 Cor. 14:14). É possível ao ser humano ficar um minuto sem pensar em alguma coisa? Mas Paulo diz que a mente daquele que ora no espírito fica infrutífera enquanto ora no espírito! A única maneira de eu não pensar em coisas alguma que tenham significado é se eu fizer com que a minha mente formule palavras desconexas, ininteligíveis, aí sim ela não terá domínio sobre a oração que meu espírito está a fazer. Neste momento Deus está se comunicando com meu espírito a fim de edificar a Sua casa em mim, sem no entanto a minha alma (mente) interferir na oração. Deus fala, eu falo em espírito, mas minha mente não entende e se mantém afastada, pois ela é contraria as coisas de Deus (1 Cor. 2:14; Gal. 5:17). Porém se formos espirituais e não carnais como os Corintios, discerniremos espiritualmente o que edificamos enquanto oramos no espírito! Deus jamais terá o domínio sobre a tua língua para fazer você pronunciar quaisquer “palavras espirituais” independente de tua vontade. O único que faz isso com os homens é Satanás. Ele é usurpador. Ele sim toma a mente das pessoas, as possui, e usa a língua delas para falar aos homens.

Portanto, aquele que ora no espírito edifica a casa de Deus e traz para esta casa toda a riqueza de sabedoria e mistérios de Deus para estar em seu espírito para todo o sempre!
“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor? ou quem se fez seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém”. (Rm. 10:33-36)
Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo! ((1 Cor. 2:16) Oh Glória!
Amados, não fique atado a sofismas, baluartes (teologias) que na verdade se levantam contra o conhecimento de Deus. Se você não for liberto disto a tua experiência em Cristo se resumirá ao mesmo nível de conhecimento destes que impedem o agir de Deus na tua vida. Na verdade, se você só ouve a Palavra Deus por meio de terceiros então toda a tua experiência em Cristo se resumirá ao mesmo nível de conhecimento destes. Mas se a Palavra de Deus e o Espírito Santo forem toda fonte de inspiração e conhecimento a serem desfrutados então o lugar que você poderá chegar é ao de varão perfeito! (Ef. 4:13; 2 Tm. 3:16-17).

Caso ainda você esteja em duvida, faça um desafio a si mesmo: Ore no espírito, e pronuncie palavras desconexas provenientes da sua própria imaginação por um tempo. Ore com freqüência. Permita-se ser edificado, e depois de um tempo, avalie como você discerne as coisas espirituais e sobre como as revelações que estão escondidas na Palavra de Deus vêem até você. Desfrute desta benção: ORE EM LÍNGUAS!