terça-feira, 3 de setembro de 2013

DENOMINAÇÕES, COMUNIDADES, IGREJAS LOCAIS

Penso que o ensino de Eklésia, assembléia dos santos, que iniciou com os discípulos que vieram a se tornar apóstolos, a congregação primitiva, não se parece em nada com as organizações de hoje!
Em muitos países, por força da Lei que regulamenta as instituições, todo o negócio que “gera lucro” deve existir como pessoa jurídica e pagar tributos ao governo. Hoje não é possível abrir um salão para reunião sem que isto venha obrigatoriamente a se tornar uma razão social, uma denominação, uma pessoa jurídica. Porém, se atentarmos para o livro de Atos dos Apóstolos, essa armadilha não seria detonada contra nós, pois encontraríamos as igrejas nas casas (Rm. 16:3-5; 1Cor. 16:19; Col. 4:15; Filem. 2). É tremendo como Deus nos orienta muito antes das coisas acontecerem!
Mergulhando no Velho Testamento encontramos a primeira “igreja” de Deus: o povo de Israel. Meus estudos a respeito de Israel bíblico me mostraram que ele nunca era vencido pelos povos de fora, salvo quando o Senhor assim os usava como forma de repreender e castigar a Israel pela desobediência (Dt. 8; Hb. 12: 1-12). Mas os de dentro, reis e reinos (Israel e Judá) se levantavam um contra o outro e contra o Senhor, e assim eram levados à derrota espiritual e social.
Então usamos destas figuras para vermos nossas igrejas de hoje. Vejo em cada igreja, seja denominacional, comunidades ou igrejas locais, duas igrejas! Sim, há dois povos dividindo um só povo.
Quando Israel revindicou para si um líder (rei) (1Sm. 8:5), não fizeram nada que Deus já não estivesse, anos atrás, falado a respeito (Dt. 17:14), e dado uma Lei de como isso se sucederia, quais os procedimentos de um rei, um líder! Enquanto Israel era um só povo, uma só nação, um só reino, o Senhor lhes dava vitória em todas as suas incursões. Apesar de serem doze tribos, tinham uma só Lei, uma só doutrina, um só batismo(1 Cor. 10:1-4). Temos no velho testamento o exemplo do erro, mas temos também no novo testamento o procedimento para não sofrermos as derrotas internas que sofria Israel dividida.
Como disse, em cada Igreja duas igrejas. Joio e trigo. Noivas prudentes e noivas néscias. Ovelhas e cabritos. Porém, mesmo diante disto, a nação de Israel não deixou de existir, mesmo quando ficou sem território. Mesmo fugindo das perseguições e indo habitar em terras estrangeiras eles não deixaram de cultuar ao Senhor. Homens fiéis ao Senhor lutaram para que o povo de Deus voltasse a se reunir num mesmo território.
Um fato interessante foi a dispersão das tribos nos períodos dos apóstolos. Uma estratégia de Deus para que o evangelho irrompesse as fronteiras das nações circunvizinhas. Por isso Jesus fala de um Reino interno, no coração de cada salvo em Cristo, onde o Rei é: o Senhor Jesus; sua Lei: a Palavra de Deus; seu representante interino: a Igreja; sua marca: o sêlo do Espírito Santo.
Não há fronteiras para este Reino, não há lei humana, constituições ou legislações terrenas que o impeçam de existir e crescer, não há limites para sua existência terrena, e na vinda do Senhor, Ele tomará posse do seu Reino (1 Cor. 15:24).
Trazendo isto para os nossos dias vejo as inúmeras denominações como um meio do Senhor alcançar seus propósitos na terra, se não fosse assim seriam todas seitas heréticas. Vejo também possibilidades de Deus em começar algo novo – João, o Batista, teve seu inicio de ministério no deserto, área desolada e desabitada, não necessariamente árida ou arenosa (Mt. 3:1-12). Exemplo de pioneirismo!
Quando algo novo está para começar é necessário preparar o terreno, assim sendo, muitos homens de Deus foram para os seus desertos espirituais e receberam seus ministérios sozinhos, começaram a falar e muitos vinham ao encontro de suas palavras proféticas. O Ap. Paulo foi um desses homens. Apartou-se da Igreja em Jerusalém, a qual não o acolheu (At. 9:26; Gl. 1: 17-24) e por isso  seu ministério foi grande, pois abriu diversos trabalhos por toda a Ásia e Europa.
Tenho reserva quando, dentro de um ministério, outro se levanta e divide a igreja, saindo com muitos membros daquele ministério e iniciando, com aqueles que abandonaram sua antiga congregação, outro trabalho! Não vejo isto em nenhum lugar acontecendo como benção na Palavra de Deus. A única forma da igreja ser derrotada é pelos que são de dentro e não os de fora (At. 20:30; 1 Jo. 2: 18-19)!

Nos sabemos que o próprio Senhor irá juntar todos os que servem de tropeço no Reino (Mt. 13:41), por isso caminhemos em um mesmo sentimento de amor fraternal (1 Ts. 4: 9-12). Nossa denominação não é nada, mas o Corpo de Cristo é tudo e nEle tudo é perfeito (1 Cor. 12: 12-13). Quem está no Corpo compreenderá e viverá nesta Palavra!
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