terça-feira, 3 de setembro de 2013

INTIMIDADE COM DEUS

Estamos vivendo em um tempo em que muitos têm procurado uma posição mais elevada, talvez um nível mais elevado na comunhão com Deus Pai, alguns a tem chamado de “intimidade com Deus”. Mas o que percebo, muitas vezes, são poucos aqueles que verdadeiramente a estão alcançando, e por quê? Será que temos acessado corretamente o caminho para estarmos na intimidade com Deus? Nossa pretensão aqui não é determinarmos “fórmulas” espirituais, ou “chaves” que abram o coração de Deus, mas o de olharmos juntos para alguns aspectos de nossas vidas que com certeza nos impediriam da verdadeira comunhão íntima com o Pai!
Na verdade o que queremos neste estudo é trazer, à luz da Palavra, uma direção que poderá nos levar a uma posição mais elevada de nosso relacionamento com o Senhor.
Faremos uso do termo “pré-requisito” que nos credenciam para a intimidade. Não é nada novo para aqueles que conhecem algumas doutrinas bíblicas que costumeiramente são usadas com nomes poucos compreensíveis. Falamos da justificação, regeneração, santificação e adoção. Tentaremos resumi-las preservando o conteúdo necessário para esta ministração, visto que a simplicidade é uma das características do evangelho de Cristo (2Cor. 11:3- 4).
Tudo em nossa vida espiritual se faz realizar por meio da Palavra e do Espírito Santo de Deus. Tudo o que se refere ao conhecimento de Deus e a busca pela íntima comunhão só se faz por intermédio da Palavra e do Espírito Santo (Jo. 16: 7-15). Eles atuam em nosso espírito, não em nossa alma, muito menos em nosso corpo, em nosso espírito. A razão é muito simples. Nosso corpo corruptível (1 Cor. 15:50, 53-54) foi crucificado com Cristo (Rm. 6:6), sendo assim, este corpo, para aqueles que crêem, não pode oferecer nada de bom a Deus. Ele foi crucificado com Cristo porque não é bom, não pode fazer nada de bom. Mas nosso espírito pode usá-lo a fim de produzir sacrifícios visíveis e aceitáveis a Deus (Rm. 6: 18,19) e para que o evangelho venha a ser anunciado a todos os homens.
Não obstante, fica algo para ser tratado: nossa alma. Ela dominava nosso corpo a fim de servimos ao pecado. Agora ela precisa ser dominada pelo nosso espírito a fim de não mais servimos ao pecado, mas sim a Deus. Tudo o que fazemos por intermédio da alma chamamos de “as obras da carne!” (Gl. 5:19-21). Nossa alma, ou nossa psiquê (grego), ou nosso ego (mais comumente conhecido), deve ser tratada pela palavra de Deus a fim de alcançar a sua santificação e salvação (1Cor. 7:1; Fl. 2:12; 1 Ts 5:23).
É assim que percebemos se estamos entrando em verdadeira adoração. Se for emocional, é da alma, nossa carne. Deus não aceita adoração da carne (Jo. 4:23), para muitos isto vai ser de difícil entendimento, pois se acostumaram a adorar a Deus com sua alma e não com seu espírito! Erroneamente quando buscamos a Deus precisamos mover a oração com algum sentimento (p.ex. emoção: ouvindo um louvor) estamos misturando emocional com o que deveria ser somente espiritual. O Pai não quer ouvir a tua oração Ele que ver a tua atitude de oração! (Mt. 6:6 veja o verbo no versículo).
Hoje temos uma igreja muito almática e pouco espiritual. Ela precisa que algo mexa com sua alma, por exemplo, para que ela chore na presença de Deus. Gosto de uma letra que diz:... “No silêncio Tu estás...” (Eu te busco). É quando estamos totalmente em silêncio que podemos ouvir a voz do Espírito de Deus e reconhecê-la em nosso espírito, e não confundí-la com a voz da nossa própria alma (Sl. 42), ou ainda, ouvindo Satanás falando em nossa alma (pois ele não pode falar em nosso espírito) pensando que é a voz de Deus. É por isso que muitos já se acostumaram a ser movidos pela a emoção e não conseguem verdadeiramente adorar o Pai. Eis a grande diferença entre os profetas do passado e a geração almática do presente século. Tecnologia! Deus não quer ouvir tecnologia, ele quer só te ver e estar em comunhão contigo!
Grave bem isto: O Espírito Santo não fala em tua alma ele fala em teu espírito! Cuidado, não queira estar com a tua alma na presença dEle, ela precisa ser tratada, pois ela ainda é a nossa carne! (Jo. 4:24; Rm. 8:5-8; Gl. 5: 16,17).
É imprescindível a ação direta e única (sem recursos naturais) do Espírito Santo de Deus a fim de obtermos intimidade com o Pai(2 Cor. 3:5-6; Fl. 3:3) e O adorarmos em espírito e em verdade (Jo. 4:24; 15:5).
O segundo “pré-requisito” é reconhecermos e aceitarmos a nossa justificação através da fé em Cristo (Rm. 5:1), visto que nosso corpo do pecado foi crucificado com Cristo e nossa alma precisa ser tratada. Com a justificação, podemos alcançar a herança dos filhos de Deus (santa vocação) com que trata em Col. 1: 19-20; 2 Tm. 1: 9-10. Intimidade é para com os filhos reconciliados em Cristo; estamos aqui decifrando o ato da justificação, ou seja, um ato exclusivo de Deus. O “processo” que Deus usou para nos reconciliar com Ele, a justificação, não requer nossa participação como aquele que poderia contribuir para com Deus para a realização do ato salvívico, mas requer de nós que acreditemos e aceitemos como única forma de encontrarmos intimidade. Através deste processo, com firme convicção (fé), tomamos posse desta benção (Rm. 3: 21-31; Gl. 2:16). Portanto o segundo passo é a fé, pois sem fé é impossível a intimidade (Hb. 11:1-11). Fé que temos comunhão, através da pessoa de Jesus Cristo, com Deus Pai; e isto porque Deus já nos deu, através do sacrifício de Cristo na Cruz, a posição de Justos perante Ele.
Neste momento, já podemos crer que a presença do Espírito de Deus já se faz em nossas vidas (Gl. 4: 4-6), pois Ele já enviou aos nossos corações o Espírito de Seu Filho! Mas queremos mais, queremos desenvolver uma íntima comunhão com Ele.
Vamos ao terceiro “pré-requisito”: a nossa regeneração. Talvez para alguns um processo instantâneo, para outros são longos anos de busca. Creio ser o processo mais difícil que nos envolve. Chamado também de o “novo nascimento”, ele está muito bem referenciado em todo o novo testamento (Jo. 3: 1-6). Para nascer de novo é necessário passarmos pela morte (Jo. 12:24-25; 1 Cor. 15:36). Na verdade esta nossa morte já foi manifestada (Rm. 6: 6-7; Gl. 2:20). Paulo usou a expressão “Estou crucificado” não porque ele tenha subjugado totalmente a sua alma, mas porque ele apropriou-se, através de sua fé em Jesus Cristo, unindo-o pela fé, a sua morte com a de Cristo.
Quando cremos que verdadeiramente nosso corpo do pecado foi morto juntamente com Cristo então passamos pelo novo nascimento, e declaramos, que em nosso ser natural não há nada de bom que possa glorificar a Cristo. Ainda outro texto que pode nos ajudar neste mistério, em Gl. 6:14 “Longe de mim gloriar-me (nada de bom em si mesmo), a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo (porque lá está o corpo do pecado de Paulo), pela qual (Cruz), o mundo está crucificado para mim, e eu (não usa mais o seu corpo para o pecado) para o mundo” (grifo nosso).
Nossa alma quer buscar alegria, paz, amor, segurança, enfim qualquer coisa relacionada com uma felicidade e bem estar, então ela usa nosso corpo, olhos (cobiça dos olhos), ouvidos, tato, olfato, enfim todos os nossos sentidos e vai buscar no mundo, nas coisas naturais, estes sentimentos para suprir sua necessidade de felicidade. Mas no mundo não está Deus, nem a verdadeira paz (Jo. 14:27; 1 Jo. 5:19)! Por isso, este “nascer de novo” se torna o mais difícil de todos os processos de Deus em nossas vidas. Alguns levam anos para se convencer deste chamado 2 Cor. 5: 14-17, mas não podemos alcançar intimidade sem passarmos pelo novo nascimento (Is. 59: 1-2). Ou seja, Deus tira a nossa vida e coloca em nós a vida de Seu Filho (Col. 3: 1-17; 1 Pe. 1; 22-23; 1 Jo. 3: 9-11).
Sabemos que todas estas doutrinas (ensino) são cansativas no sentido de as compreendermos, mas como já dissemos no inicio, são “pré-requisitos” para uma intimidade com Deus.
Em quarto lugar, a Santificação. Vamos exemplificar o que não é santificação, visto que alguns se têm desviado dela, pois acreditam em conceitos fracos de santificação, como o castigar a carne (corpo), preocupação com trajes, comida e bebida (Rm. 14:1-22; Col. 2:6-23; 1 Pe. 3:1-7).
A Palavra de Deus nos anima a sermos santos (1 Cor. 1:8; Ef. 1:4; 5:27; Fl. 2:15; 3:6; Col. 1:22; 1 Ts. 3:13; 1 Tm. 3:2; Tt. 1:17; 1 Pe. 1:14-16; 2 Pe. 3:14; Jd. 24; Ap. 14:5 e outros) e se Deus diz que podemos ser santos por quê negarmos este conceito? O que muitos confundem é o poder de Deus manifestado em nossas vidas (através de dons e ministérios) com a vida de santificação. Uma coisa pode existir sem a presença da outra e vice-versa.
Mas vamos ao exemplo daquilo que não é santificação, pois ela é pré-requisito não só para intimidade, mas principalmente para a vida eterna (Hb. 12:14).
Agora vem revelação!
Vamos analisar três textos (leia-os pelo menos cinco vezes) e depois compararemos um com o outro. Em Mt. 1:25a: “... e não a conheceu (teve relacionamento íntimo com ela) enquanto ela não lhe deu à luz um filho”.
Agora em Mt. 7: 23-24 “... nunca vos conheci...” (teve intimidade). A semelhança entre estes dois textos é o verbo “conhecer” que no original trazem a mesma palavra em ambos os textos. Eles estão empregados no mesmo sentido: ser íntimo de..., ter relacionamento intimo com... Portanto, cuidemos com este engano: Ministérios e dons espirituais não são certificados de vida santificada, e muito menos de intimidade com Deus. O que também pode confundir são os “atos legalistas”. A necessidade de alguns em se prenderem a determinados dogmas (farisaísmos) e conceitos humanos (legalismos), acreditando que isto serviria a vida de santificação (Gl. 1: 6-14; 3: 1-5; 4: 1-5; 1 Tm 1: 5-11). Na verdade isto é o poder da alma tentando agradar a Deus!
Por último em Gl. 4:19 “meus filhinhos (teknon – menino de colo), por quem de novo sinto as dores de parto até que Cristo seja formado (gerado) em vós”. Ao compararmos estes textos há um encontro de mistérios. Por que a Palavra cita este detalhe de José não ter relações com Maria (intimidade) enquanto Cristo não fosse gerado, e ela não lhe desse a luz? A trindade é revelada aqui de uma maneira assombrosa! Deus disse: “Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão ambos uma só carne.” (Mt. 19:5). Ser íntimo é fundir-se um ao outro, mas isto só é possível quando Cristo for gerado em nós!
Do mesmo parecer Paulo diz sentir contrações, dores até que Cristo fosse gerado nos corações dos Gálatas. Deus Pai, quer intimidade com seus filhos (igreja), mas primeiro ela deve gerar Cristo (2 Cor. 3: 18; 4: 5-6; Fl. 2:15). Enquanto esta “gestação” não termina, O Espírito de Deus sente as aflições (Rm 8:26) de sua igreja que não consegue gerar frutos para vida eterna (Jo. 15:16) e fica impedido de ter “relacionamento íntimo” com ela (assim como José e Maria). Sobre esta revelação o Senhor Jesus disse: “Eu e o Pai somos um” (Jo. 10:30) e: “E rogo não somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim; para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste”.(Jo. 17:20, 21). Sem intimidade não se revela Cristo ao mundo!!!!
Por último e não menos importante: a adoção! Talvez este seja o único conceito que traz diversas interpretações. Isto porque alguns teólogos a posicionam como um fator não distinto, mas como se fosse a junção das outras três doutrinas, ou seja, ao estarmos justificados, regenerados e andando em santificação, então Deus nos posiciona como filhos herdeiros (adoção).
Não queremos abrir outro entendimento, nem discutir teologia aqui, mas contribuir para chegarmos a intimidade com Deus. Creio que ao alcançarmos a justificação, passarmos pelo doloroso processo da regeneração e andarmos em santificação já estamos na posição de filhos por adoção. O que queremos diferenciar aqui é o que nos traz esta posição?
Em João 1:12 e Gl. 4: 1-7, estão se falando de dois tipos de “filhos” herdeiros. Ambos são legitimamente herdeiros, mas um é Teknon (Jo. 1:12 - menino de colo) e outro e Huios (Gl 4: 7 - filho amadurecido). Somente o filho amadurecido recebe responsabilidade do Pai. O Pai concede que ele governe no Reino junto com Cristo. E aí está a necessidade de termos intimidade com Deus. Como filhos amadurecidos para cuidarmos dos interesses do Reino e assim podermos determinar nossa posição eterna para com Deus: Se somos teknon ou Huios! Com efeito, nossa posição de filhos amadurecidos, nos levará a um elevado relacionamento com o Pai a fim de exercitarmos nossas responsabilidades para com o Seu Reino “e porque sois filhos, Deus enviou o Espírito de Seu Filho...” (Gl. 4:6). O filho amadurecido conhece a sua tarefa e a cumpre com zelo e amor. Já não vive mais tropeçando e caindo, esbarrando nas lutas com sua própria carne, mas já está apto para guerras espirituais (Ef. 6: 10-18). Aqui se encontram os motivos pelos quais Deus nos chamou, salvou, aperfeiçoou e nos enviou a uma grande comissão. Com estes filhos amadurecidos, Deus não só permite a intimidade, mas quer efetuá-la em nós através do seu Santo Espírito (Fl. 2:12-15).
Finalmente, as Escrituras nos revelam os “agentes” da justificação, regeneração, santificação e adoção (Tt. 3: 4-5), trata-se do Espírito Santo de Deus e a Sua Palavra. Esta é a água que nos purifica e justifica. O Espírito aquele que através da mesma Palavra nos regenera e nos santifica (Jo. 17:17). Um depende do outro. Um não atua sem a presença do outro!

Meu irmão procure ter mais tempo com os “agentes” de Deus. De preferência no “silêncio”, deixando a alma (carne) de fora! A única coisa que pode agradar a Deus em nossa “carne” é o cheiro suave, que sobe dela, queimando em fogo (Mt. 3:11)! Medite na Palavra, busque a presença consoladora do Espírito Santo e assuma sua posição no Reino de Deus. A intimidade com o Pai passará a ser uma constante em tua vida. Que o Senhor lhe edifique neste estudo!
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