terça-feira, 3 de setembro de 2013

SE TU ÉS FILHO DESCE DA CRUZ

No mundo de hoje podemos ver como esta frase tem envolvido a vida de todos os seres humanos, em todas as classes sociais. Temos uma filosofia de que quanto mais nos esforçarmos mais aumentaremos nossas possibilidades de trazer segurança e paz aos nossos corações e lares.
Neste mundo globalizado pela ganância de se ter muito para se sofrer menos, temos convivido com os mais estúpidos métodos de enriquecimento. Desde casamentos forjados pelos interesses gananciosos; a exploração desenfreada de seres humanos em trabalhos árduos e penosos; até o convite cínico para se prosperar às custas do evangelho, como se este fosse motivo de lucro para a vida de alguém (1 Tm. 6:3-8).
Toda esta rotina vem se tornando um prato cheio para Satanás e seus demônios, que sutilmente vem incutindo, no meio da congregação dos santos, esta mesma filosofia barata: A cobiça dos olhos (alma), da carne (prazeres do corpo) e dos bens materiais! 1 João 2:15-17.
Contextualizando com a referência em epígrafe, podemos observar o contraditório: Para se estabelecer em glória e em poder em favor dos homens, Cristo se esvazia de toda sua glória e poder, assumindo uma posição de homem pobre e desamparado (Is. 53), a fim de trazer a toda humanidade a posição de ricos e consolados!
Mas o que vemos em nosso dia a dia é sempre o mesmo desafio: “se tu és filho por que viver na miséria? Pare de sofrer agora mesmo! Desça da cruz!”.
Não queremos estabelecer que todo o Cristão deva ser pobre a fim de mendigar o pão como uma forma de mostrar a sua piedade (Pv. 30:7-9), mas trazer uma reflexão a respeito de quando estamos prosperando justa, sóbria e piamente.
Há de se analisar os motivos que nos impedem ou nos favorecem para termos uma vida cercada de paz, a fim de almejarmos as coisas que são eternas e não as temporais (2 Cor. 4: 16-18; Rm. 12:16).
Haja vista que os conceitos de segurança, conforto e paz variam muito de pessoa a pessoa, não podemos e nem queremos aqui estabelecer limites, mas tentamos buscar equilíbrio entre estes padrões.
Sendo assim, podemos agora mergulhar em alguns textos e comparamos alguns comportamentos que vem trazendo a igreja uma falsa idéia de que o Cristão verdadeiro sempre prospera aos olhos humanos.
Olhamos para a vida dos patriarcas e vemos como foram prósperos em tudo quanto fizeram, mas olhamos para a vida de Paulo e vemos que toda a sua riqueza foi trocada por uma vida de lutas e perseguições (Fil. 3: 7-8; 1 Cor. 4: 9-14), então como poderemos padronizar conceitos bíblicos a respeito de prosperidade?
Na verdade o tempo de prosperar é dado conforme a necessidade do crescimento do Reino e não segundo as nossas necessidades.
Aqui está a diferença entre sermos ricos segundo o Reino de Deus ou segundo aos padrões deste mundo. As perguntas sempre serão: quais os benefícios que a minha prosperidade vem trazendo para o Reino de Deus? Quais os benefícios que a minha falta de prosperidade vem trazendo para o Reino de Deus?
Não cabe aqui a resposta de dízimos porque estes não falam de benefícios para o povo, mas falam da fidelidade Deus para conosco. Então como podemos avaliar se estamos sendo prósperos segundo o Reino de Deus ou segundo os nossos interesses?
Venho lutando com Deus há muitos anos e buscando entender o que fazer para que haja uma vida de segurança, conforto e prosperidade a minha volta utilizando para isto todas as promessas bíblicas em meu favor, mas fui surpreendido por um texto de Filipenses 1: 29-30, que diz: “pois vos foi concedido, por amor de Cristo, não somente o crer nele, mas também o padecer, tendo o mesmo combate que já em mim tendes visto e agora ouvis que está em mim”. Então fui confrontado com esta promessa, o que me foi concedido e agora vejo, o padecer por amor a Cristo.
O que veio imediatamente ao meu espírito foi a convicção de que a minha vida de prosperidade está intimamente ligada ao de sofrer por amor a proclamação do evangelho. Quando houver entrega total de nossas vidas em favor da proclamação do evangelho será legítima a manifestação da prosperidade bíblica, mas do contrário, esta não passará de pura vaidade humana e de interesses egoístas! (Tia. 4: 2-4).
Mas quando falamos de entrega total alguns exemplos me vêm a mente: quando temos que suportar os patrões ricos que exploram a submissão de seus empregados leais e fiéis a empresa, a fim de vê-los um dia libertos da avareza; quando vemos cônjuges que se privam de sua própria felicidade a fim de ganhar o outro para Cristo, muitas vezes sofrendo o descaso e a humilhação; ou ainda, mais especificamente, os missionários que deixam para trás toda uma vida para darem suas vidas a proclamação do evangelho, ou aquele que aguarda no Senhor uma oportunidade para falar a igreja daquilo que Deus tem lhe revelado, mas a desconfiança e a falta de comunhão junto a liderança o impedem que venha a compartilhar daquilo que Deus lhe está transmitindo, mas permanecendo e não dividindo!
Mas estes são apenas alguns exemplos de uma grande soma de oportunidades para manifestarmos o Reino de Deus e vermos nossa prosperidade acontecer de acordo com os planos do Senhor (Is. 55:8-9).
Queremos então avaliar honestamente qual tem sido a motivação que nos tem levado a presença do grande El Shaddai a fim de buscarmos as promessas para nossa vida financeira.
Quero crer que há dentro de cada cristão um grande amor altruísta que visa o próximo, seja ele quem for, para o alcançar com o evangelho da salvação, não importando com o preço que isto vai lhe custar, mas olhando para a cruz de Cristo e comparando a sua cruz com a dEle (Hb. 12:2), vendo a sua frente a alegria que lhe está proposta, a de ver mais uma pessoa alcançada pelo evangelho da Paz!
Esvaziar-se de tudo que possa construir a nossa imagem (Is. 53:2-3) diante dos homens, afim de que possamos alcança-los é o sentimento que houve em Cristo (Fl. 2:5-8) e que tem fugido do nosso caráter cristão, pois ambicionamos mais as coisas de baixo do que as que são de cima (Cl. 3:1-3), e hipocritamente, ainda dizemos que tudo é para o Senhor. Buscar os interesses de Cristo tem sido menos importante do que os nossos interesses pessoais.
Planos e projetos que visam a construção de grandes arquiteturas e infra-estruturas são agora a tônica para dizer que isto é crescimento do Reino, difícil de acreditar quando vemos líderes nas manchetes de TV envolvidos em escândalos de evasão de dólares; grupos musicais gospel que estão disputando o controle financeiro, e para isto necessitam de contratos com o propósito de evitarem possíveis “desacordos comerciais”, isto é a música gospel, acordos comerciais entre os que cantam e os que dão “cobertura espiritual!” É possível encontrarmos o Reino de Deus nisto? (Jo. 6:27).
Poderíamos citar aqui um cem números de situações que dizem ser para o crescimento do Reino, mais na verdade não passam de mais uma máscara para encobrir o amor ao dinheiro!
Na verdade se a igreja encontra-se desta forma, e podemos partir da primícia que os discípulos espelham em seus mestres, então teremos pregações, teremos lindos cânticos, teremos dízimos, teremos ofertas, mas não teremos mais o temor de Deus!
Em 2 Pe. 2:13-20 encontramos uma advertência apostólica contra os falsos mestres, ao que primeiramente entenderíamos aqueles que nos ensinam na pratica da verdade, mas fizeram da Palavra de Deus como fez Balaão, o qual enviou mulheres midianitas aos israelitas a fim de os envolver –seduzir - (fala de algo que desperta a cobiça dos olhos) para os desviarem do propósito de Deus, trata-se de um paralelo perfeito com aqueles que introduzem um meio termo (ensino) entre a santidade de Deus e o mundo, transformando a igreja de Cristo em uma igreja mundana onde não é mais possível distinguir o que é santo do que é profano! Esta igreja está representada em Apocalipse 2:12-15 falando de homens que são “fontes sem água” (Jo. 4:14), sem uma palavra que fale ao espírito e não a alma, “névoas levadas por uma tempestade”, fala de movimentos que vem e só fazem barulho, quando passam não se vê os frutos que permanecem para a eternidade! (Jo.15:16)
É de se admirar que sempre estamos advertindo aos nossos leitores a respeito das coisas que o Espírito nos falaria nestes últimos dias, mas são poucos aqueles que conseguem espiritualmente discernir entre o bem e o mal (1 Cor.2:12-15; Hb. 5:14); e ainda, se deixam ser levados por toda a sorte de doutrina e cada vez mais buscam conselhos com homens que lhes agradem a alma, o apetite do seu ventre (1 Tm. 4:1-5).
Terminamos com um mandamento do Senhor Jesus Cristo: “Foi me dada toda a autoridade no céu e na terra, portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado, e eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt. 28:18-20).
Tudo o que você pedir ao Pai ele te concederá. Aplique tudo o que você receber do Pai em favor deste mandamento e serás sábio (Pv. 11:30).
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